Archive for Novembro 2010

Inverno da alma

   
   Olho esvaído de horizonte para o céu cerrado, em busca do sol há muito debelado. Estou cansado até às raízes de mim. Na varanda, só o vento passa, e olha-me de esguelha quando passa, toma-me em seus adros de vazio. Há qualquer coisa no ar que me gela e me afasta. Não ouço nada, cidade silenciosa, ou estarei surdo? Nem o aroma das árvores puras sacudidas pela chuva, esse também partiu há muito atrás. Não sinto nada, como se toda a emoção petrificada rendida ao comando do frio. Então espero, por uma espécie de silêncio que nunca chega cedo, mas não sei se é silêncio o que devo procurar. Vou em busca da luz que enche a terra de miragens, perfeito acorde para a minha alma.


   Mas tu derrotaste-me, como não pude ver? Venceste injusta, pois se eu tinha em mim a razão de ti. Esperei em vão, no ponto onde o silêncio e a solidão se cruzam com a noite e o frio. Tanta luta, quando tão nítido, tão preciso, o vazio. Sentença irrefutável. Agora pareces breve, entre os dias apressados mal dormidos. Fugazes imagens, tão mudas que ao olhá-las parece que fechei os olhos. Estou cansado até às raízes de mim. Pesado e denso, de obscura respiração, triste inanimado. Leva o meu corpo, mas deixa minha alma alada.

30 novembro 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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"Até ao fim", Vergílio Ferreira


Nesta obra, Vergílio Ferreira explora a temática da morte enquanto atentado à vida doloroso e difícil de entender. O protagonista, Cláudio, relata-nos a trágica história da sua vida de casal com Flora e o seu jovem filho Miguel, que mais tarde se revela viciado em droga e morre num tiroteio duma operação policial. Entendendo o ser como parte integrante de uma ordem universal, aceitando a condição humana limitada mas ao mesmo tempo desejando o infinito ou a imortalidade, Cláudio combate a fatalidade do destino do seu filho com tentativas de racionalização dos acontecimentos e mergulha-nos gradualmente numa planópia de sentimentos contraditórios e divagações filosóficas, ao mesmo tempo que aponta e reflecte sobre a beleza e peculiariedade da natureza, particularmente do mar, e do quão pequenos e maravilhosos somos aos olhos desse mundo cruel em que vive.


«Nada vale a opinião que se tenha porque tudo é um erro»

«Eu disse que o sentir era hipócrita? Não é verdade. É o que está mais próximo do ser. (...) Mas só as palavras o esclarecem, só nelas o sentir é verdade assumida. Gosto de me assumir em tudo o que sou»

«Há um limite da lógica, há um limite da aceitação. Para lá tudo é possível admitir-se. É onde as duas começam e o maravilhoso e a crendice. Onde a suma inteligência convive com a suma estupidez. (...) Onde o homem se renega e tem vez o curandeiro»

«A felicidade não se mede pela quantidade do que nos aconteceu de agradável, mas pela quantidade de nós que responde ao que acontece»

«Há um mundo de coisas de permeio entre a infância e agora e tu não estás lá. Porque a certa altura, deves sabê-lo, um pai deixa de entrar no jogo das coisas reais e passa para a mitologia. É quando ele é adorável na sua ficção»

«Sentia-me violentamente ofendido, mas não o mostrava. Porque sentirmo-nos ofendidos é afirmarmos a eficácia de quem nos ofende. Só o podemos mostrar quando a nossa dignidade está em causa. Mas só o está quando a importância do outro é inegável»

«Há assim uma luta entre a agitação de imaginar-te e a travagem de estar ali no teu limite. Mas a imaginação é mais forte, transborda para além de ti. Depois volto a ver-te para tudo ser real»

«O que é que de essencial eu vim procurar aqui. Ah, se eu soubesse. Porque se eu soubesse, não vinha. A gente só procura o que sabe mas não sabe que sabe, porque todo o saber é mortal. O saber é um vício que quanto mais, tanto mais. A gente quando muito sabe só para que lados fica o saber»

«Uma vida, como é? Uma estrutura de ligações aguenta-nos de pé. Por isso na velhice, uma solidão até ao absurdo de si e depois é só cair»

«Ter certezas é ter também força para as ter - quantos não têm só a força sem aquilo a que aplicá-la? Porque ter força é que é. É um modo de ser temperamental e o resto é pretexto para o temperamento. (...) São os tipos exemplares não da doutrina que professam mas da energia com que a defendem»

«O grande problema de um autor é o da sintonização do autor. É assim. Entrar no jogo é difícil. Abdicarmos de nós é dificílimo porque nós somos mais do que o universo, que é só uma fracção de nós porque nós somos nós e ele»

«A dor dói sempre o mesmo, a diferença está em nós»

«Porque escrevo? Porque gosto de fazer, de me realizar numa obra, de haver futuro para mim, de visitar o encantamento, de descobrir o mistério do real»

«Não há mais verdade do que o sol e o mar»

29 novembro 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Highlights da Cimeira da NATO



Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Já que vêm cá a Portugal, não se importam de nos dar uma mãozinha?

Adeptos encarnados pedem entrada do FMI no Benfica

Fonte: Inimigo Público



A hecatombe do Benfica no Estádio do Dragão foi tal que os adeptos encarnados não vêem outra solução que não seja a providencial entrada do FMI no clube para o salvar da perdição.

Os adeptos encarnados esperam que os senhores do FMI aterrem em pleno Estádio da Luz, montados na águia Vitória, obrigando Jorge Jesus a aceitar duras medidas de austeridade, como vender uma dúzia de jogadores, de maneira a jogar sempre com os mesmos e não ter Sidneis e Gáitans para sacar da cartola quando menos se espera. Tal como Teixeira dos Santos admitiu pedir a intervenção do FMI se os juros da dívida pública chegassem aos 7%, Luís Nazaré admite a entrada do FMI no clube quando o Benfica tiver 7% dos pontos do FC Porto no campeonato nacional, o que já esteve mais longe. 


MEDIDAS DE AUSTERIDADE EXIGIDAS PELO FMI AO BENFICA


• Vender activos do Benfica que não estiveram ao seu melhor nível contra o FC Porto, como o Sidnei, o Gáitan e o árbitro Pedro Proença; 

• Manter apenas um comentador afecto ao Benfica nos programas desportivo da TVI 24, em vez de serem todos, incluindo o moderador; 

• Vender o Benfica TV ao senhor Nuno Cabral de Montalegre que ganhou o Euromilhões;

• Vender o jornal “A Bola” ao senhor Paulo Castro da Amareleja que acertou na Raspadinha;

• Rentabilizar o David Luiz em anúncios a shampoos desembaraçantes com manteiga de Karité; 



OBJECTIVOS EXIGIDOS PELO FMI AO BENFICA

• Reduzir o défice de golos num único jogo para 4% dos golos sofridos no FCPorto-Benfica; 

• Estabilizar o valor das acções da Benfica SAD, deixando o Jorge Jesus enfiar tantas pastilhas-elásticas na boca que nem consiga abri-la para explicar as suas tácticas aos jogadores; 

• Aumentar as exportações, vendendo o treinador ao primeiro clube do meio da tabela do campeonato espanhol que o quiser;

• Ficar em segundo lugar na fase de grupos da Champions League, amealhar o prémio monetário e não comparecer nos dois jogos dos oitavos-de-final, de maneira a, conforme determinam os regulamentos, perdê-los apenas por 3-0; 

• Substituir o Jorge Jesus pelo Rui Santos, o Medina Carreira do futebol. VE

21 novembro 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Certamente, muito progressistas...



Fonte: O Insurgente


Neste site, os certamente muito progressistas Pete e Alisha colocam à votação dos visitantes a opção de continuarem a gravidez de Alisha ou abortar. Próximo passo será um reality show. Mais um avanço civilizacional do Ocidente.

20 novembro 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Chiara "Luce" Badano


A história de uma jovem de 17 anos à qual foi diagnosticado um osteossarcoma com múltiplas metástases. Em vez de se enclausurar no seu sofrimento, abriu o seu coração a Deus e, em 25 minutos de oração, deu-lhe o seu sim. Desde aí, toda a sua vida foi um incrível testemunho de serenidade e alegria. Um exemplo para os jovens de aceitação e entrega a Deus.

Chiara "Luce" Badano foi beatificada em Setembro de 2010 pelo Papa Bento XVI.

Já existe um filme sobre a vida dela e brevemente sairá nas livrarias a sua biografia traduzida para português. Um grande testemunho de vida que não podemos deixar passar em branco.
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Simplex

18 novembro 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Elio Pecora - Confidência


Atravessar a dor
como um quarto escuro
contando os passos, os fôlegos.
Procurar no fechado
um buraco, uma fenda,
para que não seja memória
mas presença
naquela ausência a luz.

À saída saber
que é preciso voltar.
E a alegria ainda
à espera do assalto.




Elio Pecora
in Poemas Escolhidos

15 novembro 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Pavlov's Dog - Julia

Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Noite



  O negrume da noite desce pelas ruas, elas começam a vir ao de cima mais visíveis. Olho em baixo os carros que as transpõem, e em cima algumas estrelas, obstinadas, duram. Noite tenebrosa, vozes de epopeia, num céu denso e escuro. Olho o invisível dela, que é o que é maior e me fascina. Está todo no que vejo, mas não está. Penso-a em pé, voltado para ela. Há um diálogo dela com a minha alma e eu ouço. É uma voz oculta sob o rumor audível, que fala do tempo e do incognoscível das coisas. O tempo ressoa a todo o espaço e ela ergue-se mais alta assim por sobre o rumor. E é como se convergindo para ali todas as minhas interrogações, mesmo as que nunca interrogaram, mesmo as mais imprecisas. Sinto-me sucumbido à quietude inóspita que a assombra. Há a revelação de não sei o quê, e está em ti. Mas não responde, está ali, no centro da minha fascinação. Não diz, está apenas. Como um muro, embato contra ela, e o que estremece em mim hesita desorientado como um animal encurralado. Pequeno eu, face à tua imensidão. Ouço a toda a amplidão o rumor abstracto do meu medo.

   Apoio-me no muro e escuto o seu estrondo silencioso, o marulhar da inquietude da alma mergulhado no indefeso do frio do corpo. Inspirei, ergui os olhos ao horizonte, e não vi nada. A luz vaga permaneceu. O grito adormecido da civilização frenética subjugou-se ao seu termo. As linhas do meu desassossego desvaneceram, tal qual mar se entrega à areia. De súbito, já não tinha medo. Senti apenas a brisa da noite, que me tocava a cara. "Tu estás aí". Extraordinário como a companhia ou protecção nos pode vir donde não esperamos.


14 novembro 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Hi5 azul e branco!

08 novembro 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Choque tecnológico

06 novembro 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Ainda bem que o BE não chega ao poder







Acabei de assistir a um debate na RTPN entre Nuno Melo (CDS-PP) e Joana Amaral Dias (BE) com um só pensamento na minha cabeça: o que se passa na cabeça dos deputados do Bloco de Esquerda?

Primeiro, a Joana Amaral Dias atreveu-se a comparar a economia portuguesa à do Japão... São só o oposto minha senhora, uma vive da importação e a outra aposta na exportação e no investimento mundial.

Depois, em discussão sobre a fiscalização do rendimento social de inserção, concluiu-se do discurso da Joana Amaral Dias que a senhora acredita que o criminoso que anda a assaltar de faca na mão é merecedor desse subsídio.

Às vezes dou um murro a mim mesmo de tão incrédulo que estou. Estas pessoas existem mesmo?

05 novembro 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Ser anti-benfiquista

01 novembro 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Em mãos

Em mãos

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