Archive for Julho 2010

O stress da banca

28 julho 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Casamento: sacramento ou contracto?



Não tenho quaisquer dúvidas de que o alicerce crucial para formar uma família íntegra, una e feliz é o casamento entre homem e mulher que edificaram a sua relação no Amor, Verdade e Fidelidade, na presença de Deus.
Sublinho a importância da presença de Deus como testemunha dos votos que cada um fez pelo outro, porque é a partir daqui que surge a enorme diferenciação entre matrimónio, enquanto sacramento da Igreja, e “casamento civil”, e é também ponto de partida para inúmeras problemáticas sociais.

No Código Civil vigora o seguinte, a respeito da noção de casamento:

«Contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida».

O Código Civil actual, no que toca à legislação sobre o casamento, é um completo atentado à estrutura e integridade da família e da sociedade!
Nota-se, desde já, a exclusão de um detalhe importantíssimo, que é o casamento enquanto união de duas pessoas de sexo diferente. O casamento homossexual, para além de ser “contra-natura”, vem contribuir para a decadência social, perda dos valores de família e declínio da natalidade.
Mas, não menos importante, não se verifica a noção de futuro, não é dado o relevo adequado à solenidade e imponência que é a união de homem e mulher numa só pessoa. Não é sequer referenciada a obrigatoriedade dos cônjuges de gerar família ou de fazer perpetuar a sua união no tempo! Fala-se em constituir família, mas não em construir família!

No Catecismo da Igreja Católica, sobre o sacramento do matrimónio, consta o seguinte:

«O pacto matrimonial, entre os baptizados, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole, foi elevado por Cristo, como Senhor, à dignidade de sacramento.»
«O amor conjugal comporta um todo em que entram todas as componentes da pessoa (…) visa uma unidade profundamente pessoal – aquela que, para além da união numa só carne, conduz à formação dum só coração e duma só alma; exige a indissolubilidade e a fidelidade na doação recíproca definitiva; e abre-se para a fecundidade. (…) características normais de todo o amor conjugal natural, mas com um significado novo que não só as purifica e consolida, mas as eleva ao ponto de fazer delas a expressão de valores especificamente cristãos.»

Deparamo-nos, evidentemente, com um grande desnivelamento entre o matrimónio e o chamado “casamento civil”.
Para começar, o matrimónio é uma cerimónia celebrada com Deus enquanto testemunha dos cônjuges, e só isso reveste esta celebração da máxima solenidade. O próprio Deus é o autor do matrimónio: convida-as a se tornarem uma só pessoa, e nutre tão grandemente o Amor que as envolve, fomenta sobremaneira o seu crescimento interior, que esse Amor quer crescer para fora, quer gerar frutos. O sacramento do matrimónio confere aos esposos a graça de se amarem com o amor com que Cristo ama a sua Igreja, graça que aperfeiçoa assim o amor humano dos esposos.
Atentem às obrigações, enquanto casal, de comunhão íntima de TODA a vida, de fidelidade, de fecundidade! Nada disto vem escrito em decretos-lei! A unidade, a indissolubilidade e a abertura à fecundidade são essenciais ao matrimónio. Atentem à importância do seu cumprimento! São estes princípios irrevogáveis que conferem ao casamento, enquanto sacramento, a sua solenidade.

Após esta reflexão (espero) esclarecedora, creio ter legitimidade para perguntar:
Que importância tem a lei neste assunto?
Porque querem equiparar coisas que são inevitavelmente inigualáveis?
Que ridícula e insignificante validade tem um “casamento civil”, comparativamente ao matrimónio pela Igreja?


Graças aos facilitismos que se têm permitido até aos dias de hoje, uma série de situações potencialmente destrutivas se têm concretizado.
Uma mulher engravida antes de se casar e o casal decide fazê-lo de imediato, sem ter plena consciência do significado de casamento (se bem que já não teve consciência aquando da consumação do acto sexual). Na melhor das hipóteses, se o casal tiver uma formação pessoal minimamente aceitável, assume as responsabilidades implícitas e esforça-se para conceber uma família una e saudável. Todavia, (excluindo a hipótese de aborto) o mais presumível é que, mais tarde, as consequências destas precipitações indevidas tomem parte e o casal opte por seguir um caminho mais fácil, que é o divórcio; o filho que arque com as consequências.
Um casal com filhos divorcia-se. Excluindo as situações que representam uma plausível anulação do casamento pela Igreja, um casal que se divorcia, tendo ou não filhos, constitui um impropério! Um casal é aquele que promete, perante Deus, amar o outro e ser-lhe fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da sua vida. Casal que não cumpriu essas promessas ou que obteve esse título por mero contracto civil não é, nunca foi nem será um verdadeiro casal. Mais ainda, que exemplo estão a dar aos filhos? Perante tão observável ruptura de valores, com que naturalidade e segurança é que no futuro decidirão construir uma família? Antes disso, que questões levantarão acerca dos princípios que lhes foram transmitidos ao longo da vida?
No seguimento da situação anterior, um dos cônjuges “casa” novamente. Constitui nova família? Pode dizer-se que sim. Constrói família? De todo, destrói! Ao consentir este acto, não está só a desrespeitar os princípios sobre os quais ergueu o seu casamento, como também está a criar uma ruptura com a sua família autêntica. Decide ter mais filhos. São irmãos ou “meio-irmãos” dos filhos que gerou anteriormente? De modo algum. Irmão é filho do mesmo pai e da mesma mãe, e não filho de um “anexo” que se emparelhou à família. Novamente, quem sofre as consequências dos actos de gloriosa juventude dos pais, sem culpa nenhuma no cartório, são os filhos. Usam o argumento que esses novos filhos não têm culpa e que os temos que aceitar como nossos irmãos. Mas que culpa têm os verdadeiros filhos? Certamente não foram eles que cometeram as asneiras, por isso nada ainda mais fora do normal deve ser exigido deles.
Um homem e uma mulher casam-se, acordando que não pretendem ter filhos no futuro ou impondo um número limite de filhos. Onde é que reside o princípio da fecundidade do casal, que tão essencial é para a integridade da família? Arguir não ter paciência e/ou tempo para criar e educar filhos é de um egoísmo e egocentrismo tremendos por parte do/s cônjuge/s. Sobretudo se o casal se considerar cristão. Já que na sociedade não está vinculada legalmente essa obrigação, cabe-nos a nós, cristãos, contrariar as novas tendências esquerdistas, acolher a responsabilidade de ser casal e defender os valores da família, entidade tão exasperada nos dias que correm. 

Se estas catástrofes se tornaram cada vez mais frequentes, foi graças a políticas de esquerda, que se dizem modernistas  ao serem permissivas mas que são altamente irresponsáveis. Por lhes estar acoplada uma espantosa facilidade na resolução de problemas, pouco a pouco naturalmente (e erradamente) caíram nas boas graças dos portugueses e se tornaram moda.
Da quebra com os valores da Igreja e da prevalência de governos de esquerda, resulta que hoje em dia ser família é uma raridade e anormalidade social, é motivo para olhar de lado.

Segue o apelo do Santo Padre na visita a Fátima:

«As iniciativas que visam tutelar os valores essenciais e primários da vida, desde a sua concepção, e da família, fundada sobre o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher, ajudam a responder a alguns dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum. Tais iniciativas constituem, juntamente com muitas outras formas de compromisso, elementos essenciais para a construção da civilização do amor»

26 julho 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

O único futuro


«O casamento é a realização mais espantosa da humanidade. A mais utilizada forma de transmitir a existência e a única eficaz de transmitir a civilização. Que duas pessoas tão diferentes encontrem uma complementaridade fecunda para a vida e, através da sua união, dêem substância e continuidade à comunidade humana é sublime. Mais ainda, uma descrição objectiva do que está implicado na vida quotidiana de um casal mostra a qualquer observador perspicaz que ele é formalmente impossível. As núpcias que permanecem não são as fáceis e sem problemas, porque essas não há. Todos os casamentos são impossíveis. Alguns simplesmente existem e persistem. Os casamentos que duram constituem a realização mais espantosa da humanidade.

O nosso tempo adicionou aqui uma dimensão. Em vez de o considerar como ele é, um bem precioso, frágil e essencial, decidiu procurar formas alternativas de transmitir a existência e a civilização. Sempre houve promiscuidade, adultério, divórcio, união de facto, consequências directas da impossibilidade do casamento. Esta é a primeira época que admira e promove esses comportamentos, enquanto inova furiosamente em contraceptivos e procriação artificial. Além disso, desconfiando da capacidade dos pais para ensinar os valores básicos, entrega ao Estado ou ao mercado essa função. A doutrinação ideológica, mascarada ou não de educação, e os desenhos animados são as formas contemporâneas de transmitir a civilização.

A consequência disto, outra novidade, é a aparente derrocada conjugal. No caso português, a taxa bruta de casamento em 2008 foi de 4,1 por mil habitantes, metade da taxa de 1979 e pouco acima da taxa de divórcios, 2,5 por mil, que quadruplicou nestes 30 anos. Os nascimentos fora do casamento subiram de 8,2% em 1979 e 14,7% em 1990 para 36,2% hoje. Muitos interpretam estes números como a obsolescência do casamento. Pelo contrário, o espantoso não é serem tão negativos, mas ainda serem significativos.

Considerando a campanha cruel, esmagadora e obsessiva que as últimas décadas moveram contra o casamento, o que surpreende é que tenha resistido como resistiu, e continue a ser a mais utilizada forma de transmitir a existência e a única eficaz de transmitir a civilização. A maior parte das instituições assim atacadas desapareceu.

Filmes, revistas, séries e jornais, junto com leis, políticas, discursos e programas, todos se uniram para evidenciar o que sempre se soube: o casamento é impossível. Não notam que, ao fazê-lo, serram o tronco onde se sentam. Esta louca insistência nas óbvias dificuldades matrimoniais, sem alternativas válidas, só pode ter um resultado: a decadência social. Não só a fertilidade atingiu na Europa níveis de extinção da espécie, mas a solidão, depressão, traumas infantis, agressividade, suicídio chegaram a níveis patológicos. Os esforços do nosso tempo para abandonar o casamento só conseguiram destruir-nos.

Esta atitude tem as suas razões. Nasce da reacção a um erro dos séculos anteriores, que por vezes desequilibrou as duas dimensões do casamento. Nas gerações precedentes, o elemento romântico e emocional da união dos esposos foi frequentemente secundarizado em favor da estrutura social. Os pais combinavam os noivos porque casamento era, antes de mais, futuro do clã, alianças genealógicas, interesses de herança. Paixão, amor e sexo eram exteriores ao vínculo nupcial. Não se deve exagerar esta situação, porque a maioria dos casamentos sempre foi normal, mas certos estratos enviesaram neste sentido.

As gerações actuais caíram no extremo oposto. Repudiam justa e fortemente este modelo mas absolutizam a liberdade e emoções conjugais. Desprezando o casamento de conveniência e as alianças de clã acabam por abandonar o próprio casamento. O fundamentalismo erótico anula a relação ao primeiro obstáculo e chega a ridicularizar a procriação. Este modelo é tão desequilibrado quanto o anterior, mas, ao contrário dele, implica a extinção da sociedade. Porque o casamento, mesmo impossível, é o nosso único futuro.»


João César das Neves

22 julho 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Noite de Saudade


A Noite vem poisando devagar
Sobre a Terra, que inunda de amargura...
E nem sequer a bênção do luar
A quis tornar divinamente pura...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar
A sua dor, que é cheia de tortura...
E eu oiço a Noite imensa soluçar!
E eu ouço soluçar a Noite escura!

Porque és assim tão escura, assim tão triste?!
É que, talvez, ó Noite, em ti existe
Uma Saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu sei donde me vem...
Talvez de ti, ó Noite!... Ou de ninguém!...
Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!


Florbela Espanca
in Sonetos
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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O lado "oculto" da Igreja

Segue carta do padre salesiano uruguaio Martín Lasarte, que trabalha em Angola, de 06 de abril e endereçada ao jornal norte-americano The New York Times. Nela expressa seus sentimentos diante da onda mediática despertada pelos abusos sexuais de alguns sacerdotes em contraste com o desinteresse que o trabalho de  milhares religiosos suscita nos meios de comunicação.

 
«Querido irmão e irmã jornalista: sou um simples sacerdote católico.  Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas,  que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de  inocentes. Não há palavras que justifiquem estes atos. Não há dúvida de que  a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e prevenção da  dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.
Vejo em muitos meios de informação, sobretudo em vosso jornal, a ampliação  do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros  casos mais recentes...
 
Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas  e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.
 
É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e  dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo!
 
Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei  transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs  não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Moxico com apenas um único posto médico em  90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais  de 110.000 crianças...
 
Não é do interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha,  depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.
 
Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda  curando os meninos de rua, levando-os a uma casa de acolhida, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.
 
Tampouco que Frei Maiato, com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os doentes e desesperados.
Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos em um leprosário, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feiticeiros ou órfãos de pais que morreram de Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a seropositivos... ou, sobretudo, em paróquias e missões dando  motivações às pessoas para viver e amar.
 
Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurelio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os  tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras  catequistas, tenham morrido em um acidente na estrada quando iam prestar  ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos  primeiros sacerdotes que chegaram à região... Nenhum passa dos 40 anos.
 
Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” em seu dia a dia, em  suas dificuldades e alegrias consumindo sem barulho a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa-Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou  na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta  que cresce.
 
Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não  é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura...
Insistir de forma obsessiva e perseguidora em um tema perdendo a visão de  conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico  na qual me sinto ofendido.
 
Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso  o fará nobre em sua profissão.»
20 julho 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

"A Cartuxa de Parma", Stendhal

 

Um dos únicos romances completos de Stendhal, esta obra retrata um conjunto de aventuras amorosas vividas pelo protagonista - Fabrício del Dongo - na era Napoleónica. O autor apresenta-nos uma apologia da liberdade de espírito e leveza de ímpeto e energia individual que identifica numa ensolarada Itália do século XIX.

O livro articula uma implexa rede de relações de poder e amor, contextualizadas sob governos venais, que se sustentam fragilmente eclipsados pelo fantasma de Napoleão, recentemente destituído do seu império europeu. Além disso, é significativa a capacidade de Stendhal em dar vida a cada uma das personagens, aprofundando com coerência o carácter psicológico das mesmas e contextualizando-o de forma conjuntural com o próprio espírito da obra.

Fabrício del Dongo, de alguma maneira, também ilustra a concepção que Stendhal tinha da vida: a “busca da felicidade”.

15 julho 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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"Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley


Um romance de ideias, que descreve as formas mais subtis e engenhosas que o pesadelo do totalitarismo pode assumir e que resiste a qualquer tipo de interpretação político-ideológica.
Neste livro, publicado em 1932, Aldous Huxley cria uma utopia aparentemente impossível, mas que mantém profundas relações com a história do Homem. Retrata um futuro onde as pessoas são condicionadas biológica e psicologicamente a fim de se conformarem com as regras sociais vigorantes, uma sociedade que desconhecia os conceitos de família e moral.
Contudo, esse mundo não deixa de gerar os seus próprios anticorpos, nomeadamente por parte do protagonista, Bernard Marx, que, sentindo-se descontente com a sua diferença física relativamente aos restantes membros da sua "casta", procura criar uma brecha neste sistema.
O "Admirável Mundo Novo" é um alerta, um apelo à consciência dos homens, uma denúncia ao perigo de um falso e aliciante progresso na evolução da humanidade.

12 julho 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Are we getting older?


Portugal bate recordes mínimos de fecundidade e acelera envelhecimento (link)  

«Portugal vive momentos históricos em termos de população, com um número de óbitos superior ao de nascimentos em 5000, mínimos memoráveis de fecundidade e um envelhecimento recorde, segundo um perfil da população portuguesa.»


A Europa enfrenta hoje uma grande ameaça: a do envelhecimento da população.

A grande fasquia da população portuguesa não vê incentivos nem razões para formar um casal e criar uma família numerosa. Há falta de humanidade nas pessoas, falta de sentido de vida, mas a origem da culpa está longe de residir nelas.

Afirmou Piaget que o comportamento humano resulta de uma construção progressiva do sujeito em interacção com o meio. Na actualidade em que vivemos, os estímulos positivos para seguirmos uma correcta conduta de vida são escassos. Somos constantemente confrontados com uma sociedade de qualidade de vida precária e que se degrada cada vez mais, que aos olhos de muitos requer talvez uma colher de chá de Humanismo. O que é certo é que a crise que se criou e se acomodou em Portugal não está só de passagem, simplesmente porque ninguém se preocupa em combatê-la objectiva e competentemente.

As repercussões deste desânimo generalizado observam-se notoriamente ao quantificarmos a população portuguesa. Apresenta-se-nos uma diminuição acentuada da taxa de natalidade, enquanto a taxa de mortalidade se tem mantido estável ao longo dos anos. Não é preciso saber muito de Geografia para perceber que a pirâmide está desequilibrada, a população está envelhecida e não é renovada adequadamente...

À la table, são-nos servidos os seguintes pratos: contracepção; crise tremenda de valores humanos; profundas alterações nos padrões de vida que se repercutem na família; incerteza quanto ao futuro; falta de apoio à maternidade; dificuldade em conciliar família com trabalho.

É certo que vigora há muito tempo a política dos facilitismos, e a contracepção não foge à regra. Qual é a maneira de satisfazer os nossos impulsos sem consequências que mudem significativamente o estilo de vida das pessoas? É a contracepção! Há pessoas que banalizam o acto sexual até ao seu mais ínfimo detalhe, esquecendo-se do seu significado enquanto gerador de família, sabendo que há sempre alguma solução para fugir às responsabilidades que os seus actos impõem; temos também os casais que dela se servem como meio de controlo, porque num certo egoísmo dizem só ter paciência para aturar um ou dois filhos.

Em matéria dos valores humanos, muito há para dizer. Num país em que desde sempre os regimes de governo foram fundados e edificados com alicerces no Cristianismo, nota-se claramente que existe um fosso entre Estado e Igreja, ele é real e está a aumentar!  Um dos contribuintes, ainda que em pequeno grau, para a criação deste fosso foi a Constituição Portuguesa, devido à promulgação da liberdade de religião e cultura, de um Estado laico. Abrindo-se uma porta, são exclusivamente certos condicionalismos que decidem se essa porta vai ou não ser atravessada. Contudo, não nos enganemos, porque a grande bomba que criou e continua a alargar este fosso foi lançada pelas políticas de esquerda! Apontem o dedo ao senhor engenheiro a pavonear-se em frente às câmaras televisivas aquando da comemoração dos 25 anos de uma mesquita em Portugal, enquanto na sua boa figura se dirige ao Papa Bento XVI por "Sua Eminência". A este senhor devemos a liberalização do aborto e dos casamentos homossexuais, verdadeiros atentados à estrutura da família, mas ainda assim parece difícil a muita gente identificar os culpados do agravamento do envelhecimento da população. Já não há valores de família, há antes a revigoração da célebre expressão de Horácio, o "Carpe Diem", ainda que um tanto quanto adaptada: vivam a vida como melhor entenderem; vivam o presente e não se preocupem com o futuro, decerto alguém virá para apagar os nossos erros.

Portanto, não é de surpreender esta assombrosa quebra de estilos de vida observada entre as gerações do século XX e a nova geração rosa. Falta integridade ao ser humano, faltam exemplos de vida e referências para a sua formação pessoal. Quando, no tempo dos meus avós, uma família pequena era raridade, hoje em dia deparo-me com o oposto completo: um casal com três filhos já se considera motivo para espanto!

É verdade que no panorama comum, nos dias que correm, com o agravamento socio-económico do país, ter uma família numerosa pode trazer algum receio aos novos casais. Obviamente há falta de incentivos para tal, e atentando no que é mais óbvio a maior parte das pessoas tende a pensar em si do que em pensar nas responsabilidades que têm para com a sociedade, chegando até a optar por ter um casamento sem filhos. Não podemos fugir às responsabilidades de casal que nos são impostas, e já nem digo enquanto cristãos, porque se a população está a envelhecer, cabe-nos a nós reverter essa tendência e lutar pelo bem maior, mesmo que o Governo não tenha em grande conta este problema. E digo que não tem isso em conta porque não mostra medidas que indiquem o contrário. Ao invés, vemos, por exemplo, o fecho das maternidades como medida de contenção de gastos na saúde, a inexistência de medidas de incentivo à natalidade como a majoração do abono de família e atribuição de subsídios às famílias numerosas.

Para somar à mescla de agravantes, há que atentar nas condições de trabalho dos portugueses. O IVA aumenta, os descontos aumentam e, completamente contra o que seria lógico, os salários diminuem. Se vivêssemos só de ar, estas medidas de "apertar os bolsos" não representariam qualquer problema, mas para já não somos assim. Os portugueses vêem-se forçados a trabalhar mais horas e/ou a ter mais do que um trabalho, e assim torna-se difícil conciliar a vida familiar com a vida profissional. Acredito que, se as condições de vida fossem outras mais favoráveis, grande parte das pessoas teria de bom grado e com grande felicidade uma família numerosa, e isso constitui mais um factor a adicionar ao somatório do desalento da população.

Há muita coisa que está mal em Portugal, mas parece que o envelhecimento da população não faz parte do leque de problemas de maior relevo. Liberalizar os casamentos dos homossexuais é, de facto, deveras mais importante... Será que vamos ser colonizados por muçulmanos?

10 julho 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Em mãos

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