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O homem que era Quinta-feira, G. K. Chesterton



Um artista é um anarquista. As duas palavras equivalem-se. Um anarquista é um artista. O homem que atira uma bomba é artista, porque prefere a tudo um momento culminante. Sente que o brilhar de uma chama e um belo estrondo valem muito mais do que os corpos desfigurados de meros polícias. Um artista desrespeita todos os governos, suprime todas as convenções. Um poeta só na desordem se sente bem. Se não fosse assim, o metropolitano seria a coisa mais poética do Mundo.


Há muitas espécies de sinceridade e hipocrisia. Quando lhe passam o saleiro e diz «muito obrigada», é sincera? Não é. Quando diz «o Mundo é redondo», é sincera? Não. É uma verdade, mas você não a diz com consciência.

Quem está verdadeiramente ligado à pátria é o homem pobre; o rico não, esse pode partir no seu iate para a Nova Guiné. Os pobres às vezes repontam por serem mal governados, os ricos têm repontado sempre contra qualquer forma de governo.

Querem que lhes diga qual o segredo do mundo inteiro? É que lhe conhecemos apenas as costas, vemos tudo por trás e parece-nos brutal. Aquilo não é uma árvore, são as costas de uma árvore, aquilo não é uma nuvem, mas sim as costas de uma nuvem. Não vêem que tudo se curva e esconde a cara? Se nós pudéssemos ver de frente...

O mal é tão mau que não podemos imaginar o bem senão como um acaso; o bem é tão bom, que ficamos com a certeza de poder explicar o mal.

O filósofo pode, por vezes, amar o infinito, o poeta ama sempre o finito. Para este, o momento culminante não é o da criação da luz, mas sim o da criação do Sol e da Lua.
03 junho 2013
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

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