Do debate presidencial Cavaco-Alegre
Vamos lá ver uma coisa, a doutrina social da Igreja é que cria desigualdades? Então não é este governo "socialista" que diz proteger o Estado social mas só faz o contrário? E ainda ontem deu mais provas disso, quando se constata que a aplicação da taxa moderadora da saúde aos mais desfavorecidos embate contra um princípio muito forte do dito Estado social que é o do acesso universal ao sistema de saúde. Foi precisamente a pergunta que deixou Manuel Alegre sem resposta, ou melhor dizendo, respondeu à PS: enrolou e não disse nada.
O candidato que se informe melhor antes de lançar críticas à doutrina social da Igreja, porque nela diz (e passo a citar) «Os Socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida, que os bens dum indivíduo qualquer devem ser comuns a todos, e que a sua administração deve voltar para – os Municípios ou para o Estado. Mediante esta transladação das propriedades e esta igual repartição das riquezas e das comodidades que elas proporcionam entre os cidadãos, lisonjeiam-se de aplicar um remédio eficaz aos males presentes. Mas semelhante teoria, longe de ser capaz de pôr termo ao conflito, prejudicaria o operário se fosse posta em prática. Pelo contrário, é sumamente injusta, por violar os direitos legítimos dos proprietários, viciar as funções do Estado e tender para a subversão completa do edifício social». Portanto, se quer uma sociedade mais justa e solidária, não venha demandar satisfações à doutrina social da Igreja, porque ela nada tem a ver com as injustiças que o governo de José Sócrates criou!
"O Véu Pintado", Somerset Maugham
Este romance clássico de Somerset Maugham retrata a história de amor, passada na primeira metade do século XX, de um jovem casal britânico, Walter e Kitty, que se casam pelos motivos errados. Kitty é uma mulher da alta sociedade e Walter é um médico da classe média.
Ao se casarem, mudam-se de Londres para Xangai, onde Kitty conhece o homem que vai encaminhar o seu casamento para as ruas da amargura: Charles, homem da alta sociedade e político. Ao descobrir que Kitty o traíra, Walter aceita, num pacto de vingança, um trabalho voluntário numa aldeia remota da China que estava infestada por uma epidemia de cólera e leva Kitty consigo, na esperança de que a ordem natural das coisas poria termo à sua vida.
Contudo, a viagem acaba por ser libertadora, traz novo significado à sua relação e à sua essência. À medida que o tempo passa, ambos crescem como pessoas e evoluem, também devido à catástrofe que os rodeia, e é então que o amor que nunca tiveram em comum se vai transformar numa grande prova de amor e solidariedade.
Natal
A crise era séria, profunda, duradoura. Herodes, fascinado pelas obras públicas, oprimia o país com impostos. Depois do embelezamento grandioso do Templo, vieram as fortalezas, Masada e Herodium, e as novas cidades Cesareia Maritima e Mamre. A dívida externa crescia e o Império Romano ameaçava com austeridade ou intervenção directa de um Procurador. O povo, sucessivamente enganado por gerações de dirigentes, já não acreditava em nada. Israel sentia-se confuso e desorientado.Pior, estava desanimado, deprimido, não via saída.Foi então que «o povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles» (Is 9, 1). A solução veio do Alto, inesperada, explosiva, desconcertante, ultrapassando infinitamente o problema do momento. Não surgiu na capital, no palácio, na monarquia, mas num cantinho obscuro, um estábulo com uma manjedoura a servir de berço. Foi anunciada nos céus mas só os que estavam calados puderam ouvir.
A nossa crise é séria, profunda, duradoura. Mas acontece depois daquele nascimento. Acontece depois de estarmos salvos. O Senhor já veio e ficou connosco. Neste Natal não temos de esperar por Ele. Ele é que está à nossa espera. A ver se desta vez ouvimos finalmente o que então se disse no céu: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor» (Lc 2, 10-11). Hoje como então, a solução dos nossos problemas não está na capital, no palácio, mas no estábulo iluminado.


