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Falar verdade a duvidar
nostro intelletto, se 'l ver non lo illustra
di fuor dal qual nessun vero si spazia.
Posasi in esso, come fera in lustra,
tosto che giunto l'ha; e giugner puollo:
se non, ciascun disio sarebbe frustra.
Nasce per quello, a guisa di rampollo,
a piè del vero il dubbio; ed è natura
ch'al sommo
pinge noi di collo in collo.»
Dante, Paradiso, IV, 124-132
Tempo para estar e ouvir
«Um bom exemplo da importância deste exercício, revelador do valor que damos às nossas prioridades na distribuição do tempo, é este conselho que já tenho dado algumas vezes a alguns pais: convidem os vossos filhos para almoçar! Um de cada vez e com tempo... para estar e ouvir. Ou vão dizer-me que não têm tempo?
(...)
"convida-o para almoçar...".
Ele ficou sem saber o que dizer... "Sim, põe na tua agenda, e convida-o para almoçar. Telefona-lhe para o telemóvel, e convida-o para almoçar. Mas não para lhe perguntares pelas notas, não para saber se tem namorada... Não para fazer essas perguntas todas que os pais têm a mania de fazer e que às vezes não deviam fazer, ou que deviam fazer, mas na hora certa, e sem aquele ar 'chateado' e no meio de outras gritarias! Tens tempo para todos os almoços de trabalho que queres, por que é que não hás-de almoçar com o teu filho?... Este é um almoço de trabalho do afecto! Porque ele sabe que tem pai, saber sabe... mas não o sente. O grande problema pode vir daí: se ele não 'sente' que tem pai... e tu também não vais tendo oportunidade (tempo) de exercer a tua paternidade, fica difícil. Experimenta exercê-la mais vezes!".
(...)
Portanto, cada um que se examine. Pois, a questão é esta: se eu quiser ter tempo para aquela criança, tenho.
(...)
Nós temos tempo para aquilo que realmente queremos, para aquilo que levamos no coração, não para aquilo que levamos na cabeça. E há aqui um trabalho enorme a fazer de educação dos afectos.»
(...)
"convida-o para almoçar...".
Ele ficou sem saber o que dizer... "Sim, põe na tua agenda, e convida-o para almoçar. Telefona-lhe para o telemóvel, e convida-o para almoçar. Mas não para lhe perguntares pelas notas, não para saber se tem namorada... Não para fazer essas perguntas todas que os pais têm a mania de fazer e que às vezes não deviam fazer, ou que deviam fazer, mas na hora certa, e sem aquele ar 'chateado' e no meio de outras gritarias! Tens tempo para todos os almoços de trabalho que queres, por que é que não hás-de almoçar com o teu filho?... Este é um almoço de trabalho do afecto! Porque ele sabe que tem pai, saber sabe... mas não o sente. O grande problema pode vir daí: se ele não 'sente' que tem pai... e tu também não vais tendo oportunidade (tempo) de exercer a tua paternidade, fica difícil. Experimenta exercê-la mais vezes!".
(...)
Portanto, cada um que se examine. Pois, a questão é esta: se eu quiser ter tempo para aquela criança, tenho.
(...)
Nós temos tempo para aquilo que realmente queremos, para aquilo que levamos no coração, não para aquilo que levamos na cabeça. E há aqui um trabalho enorme a fazer de educação dos afectos.»
P. Vasco Pinto Magalhães, sj
Só avança quem descansa
A ilustre casa portuguesa

«Já se viam chegados junto à terra
que desejada já de tantos fora,
que entre as correntes Índicas se encerra
e o Ganges, que no Céu terreno mora.
Ora sus, gente forte, que na guerra
quereis levar a palma vencedora:
já sois chegados, já tendes diante
a terra de riquezas abundante!
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A vós, ó geração de Luso, digo,
que tão pequena parte sois no mundo,
não digo inda no mundo, mas no amigo
curral de Quem governa o Céu rotundo;
vós, a quem não somente algum perigo
estorva conquistar o povo imundo,
mas nem cobiça ou pouca obediência
da Madre que nos Céus está em essência.
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Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
que o fraco poder vosso não pesais;
vós, que, à custa de vossas várias mortes,
a Lei da Vida Eterna dilatais:
assim do Céu deitadas são as sortes
que vós, por muito poucos que sejais,
muito façais na Santa Cristandade,
que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!
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Vede-los Alemães, soberbo gado,
que por tão largos campos se apascenta;
do sucessor de Pedro rebelado,
novo pastor e nova seita inventa;
vede'lo em feias guerras ocupado,
que inda co cego error se não contenta,
não contra o soberbíssimo Otomano,
mas por sair do jugo soberano.
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Vede-lo duro Inglês, que se nomeia
rei da velha e santíssima Cidade,
que o torpe Ismaelita senhoreia
(quem viu honra tão longe da verdade?),
entre as boreais neves se recreia,
nova maneira faz de cristandade:
para os de Cristo tem a espada nua,
não por tomar a terra que era sua.
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Guarda-lhe, por entanto, um falso rei
a cidade Hierosólima terreste,
enquanto ele não guarda a Santa Lei
da Cidade Hierosólima Celeste.
Pois de ti, Galo indigno, que direi?
Que o nome «cristianíssimo» quiseste,
não para defendê-lo nem guardá-lo,
mas para ser contra ele e derribá-lo!
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Achas que tens direito em senhorios
de cristãos, sendo o teu tão largo e tanto,
e não contra o Cinífio e Nilo rios,
inimigos do antigo Nome Santo?
Ali se hão-de provar da espada os fios
em quem quer reprovar da Igreja o Canto.
De Carlos, de Luís, o nome e a terra
herdaste, e as causas não da justa guerra?
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Pois que direi daqueles que em delícias,
que o vil ócio no mundo traz consigo,
gastam as vidas, logram as divícias,
esquecidos do seu valor antigo?
Nascem da tirania inimicícias,
que o povo forte tem, de si inimigo.
Contigo, Itália, falo, já sumersa
em vícios mil, e de ti mesma adversa.
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Ó míseros Cristãos, pela ventura
sois os dentes, de Cadmo desparzidos,
que uns aos outros se dão à morte dura,
sendo todos de um ventre produzidos?
Não vedes a Divina Sepultura
possuída de Cães, que, sempre unidos,
vos vêm tomar a vossa antiga terra,
fazendo-se famosos pela guerra?
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Vedes que têm por uso e por decreto,
do qual são tão inteiros observantes,
ajuntarem o exército inquieto
contra os povos que são de Cristo amantes;
entre vós nunca deixa a fera Aleto
de semear cizânias repugnantes.
Olhai se estais seguros de perigos,
que eles, e vós, sois vossos inimigos.
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Se cobiça de grandes senhorios
vos faz ir conquistar terras alheias,
não vedes que Pactolo e Hermo rios
ambos volvem auríferas areias?
Em Lídia, Assíria, lavram de ouro os fios;
África esconde em si luzentes veias;
mova-vos já, sequer, riqueza tanta,
pois mover-vos não pode a Casa Santa.
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Mas, entanto que cegos e sedentos
andais de vosso sangue, ó gente insana,
não faltarão cristãos atrevimentos
nesta pequena Casa Lusitana:
é na Ásia mais que todas soberana;
na quarta parte nova os campos ara;
e, se mais Mundo houvera, lá chegara.»
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Luís de Camões, Os Lusíadas
Then I saw God
«Que maravilhosa a visão das colinas às 7h45 da manhã! Sendo as mesmas de sempre à tardinha, recolhem a essa hora a luz duma maneira inteiramente nova, simultaneamente terrena e etérea, com delicadas manchas de sombra e escuros enrugamentos e ondulações de terreno em lugares onde nunca os vira antes, e tudo ligeiramente velado por uma neblina que lhe dá a aparência de costa tropical, ou de continente recentemente descoberto. Uma voz parecia gritar dentro de mim: "Olha, repara bem". Porque estas é que são as verdadeiras descobertas, e para isso é que estou aqui no mais alto mastro da minha nau (onde sempre estive) e sei que a direcção que levamos é a correcta, pois nos cerca a toda a volta o mar do paraíso»
Thomas Merton
Soltas...
«Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir»
George Orwell, in 1984


