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Tempo para estar e ouvir
«Um bom exemplo da importância deste exercício, revelador do valor que damos às nossas prioridades na distribuição do tempo, é este conselho que já tenho dado algumas vezes a alguns pais: convidem os vossos filhos para almoçar! Um de cada vez e com tempo... para estar e ouvir. Ou vão dizer-me que não têm tempo?
(...)
"convida-o para almoçar...".
Ele ficou sem saber o que dizer... "Sim, põe na tua agenda, e convida-o para almoçar. Telefona-lhe para o telemóvel, e convida-o para almoçar. Mas não para lhe perguntares pelas notas, não para saber se tem namorada... Não para fazer essas perguntas todas que os pais têm a mania de fazer e que às vezes não deviam fazer, ou que deviam fazer, mas na hora certa, e sem aquele ar 'chateado' e no meio de outras gritarias! Tens tempo para todos os almoços de trabalho que queres, por que é que não hás-de almoçar com o teu filho?... Este é um almoço de trabalho do afecto! Porque ele sabe que tem pai, saber sabe... mas não o sente. O grande problema pode vir daí: se ele não 'sente' que tem pai... e tu também não vais tendo oportunidade (tempo) de exercer a tua paternidade, fica difícil. Experimenta exercê-la mais vezes!".
(...)
Portanto, cada um que se examine. Pois, a questão é esta: se eu quiser ter tempo para aquela criança, tenho.
(...)
Nós temos tempo para aquilo que realmente queremos, para aquilo que levamos no coração, não para aquilo que levamos na cabeça. E há aqui um trabalho enorme a fazer de educação dos afectos.»
(...)
"convida-o para almoçar...".
Ele ficou sem saber o que dizer... "Sim, põe na tua agenda, e convida-o para almoçar. Telefona-lhe para o telemóvel, e convida-o para almoçar. Mas não para lhe perguntares pelas notas, não para saber se tem namorada... Não para fazer essas perguntas todas que os pais têm a mania de fazer e que às vezes não deviam fazer, ou que deviam fazer, mas na hora certa, e sem aquele ar 'chateado' e no meio de outras gritarias! Tens tempo para todos os almoços de trabalho que queres, por que é que não hás-de almoçar com o teu filho?... Este é um almoço de trabalho do afecto! Porque ele sabe que tem pai, saber sabe... mas não o sente. O grande problema pode vir daí: se ele não 'sente' que tem pai... e tu também não vais tendo oportunidade (tempo) de exercer a tua paternidade, fica difícil. Experimenta exercê-la mais vezes!".
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Portanto, cada um que se examine. Pois, a questão é esta: se eu quiser ter tempo para aquela criança, tenho.
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Nós temos tempo para aquilo que realmente queremos, para aquilo que levamos no coração, não para aquilo que levamos na cabeça. E há aqui um trabalho enorme a fazer de educação dos afectos.»
P. Vasco Pinto Magalhães, sj
Só avança quem descansa
"O mal-entendido", por João César das Neves
Uma das poucas coisas em que há acordo é que Portugal
precisa de crescimento. Não só é a única forma de vencer a recessão e
desemprego, mas a sua falta é a causa da desconfiança financeira.
Infelizmente este consenso, que deveria levar a atitudes e projectos comuns, quebra logo a seguir, devido a um estranho mal-entendido. É espantoso mas muitos dos que afirmam com clareza a urgência de promover o crescimento e criação de emprego, logo na frase seguinte se põem a falar de outro tema, propondo medidas e intervenções que não só pouco têm a ver com a dinâmica produtiva, mas até a prejudicam.
Este terrível erro, que pode ter consequências gravíssimas no futuro, advém do esquecimento de um facto simples, evidente, incontornável, base central da vida económica, mas frequentemente omisso nos raciocínios de muitos que se dizem especialistas nessas coisas. O crescimento económico só se pode verificar nas empresas, através do trabalho produtivo e investimento rentável, envolvendo mercados equilibrados e eficientes, para satisfazer as necessidades da população. Através do esforço, engenho, iniciativa e dinamismo dos agentes económicos, empenhados a fundo em actividades lucrativas, é que se consegue o tão desejado progresso.
Deste princípio básico e indiscutível saem vários corolários elementares, que as discussões comuns violam de forma ingénua. Por exemplo, se crescimento é isto, então não se trata de uma questão de política, decretos e institutos. Trata-se de economia, empresas, empregos, não diplomas, estudos, discursos. O Estado tem um papel decisivo na sociedade, mas não é fazer crescimento, ter bébés ou marcar golos.
Só que o segundo fôlego de quem fala sobre estes assuntos é sempre dedicado à intriga ministerial. Promover crescimento é, segundo eles, dar subsídios (que implica impostos que oprimem a economia), criar incentivos (que distorcem o dinamismo e rigidificam a estrutura), fazer planos (que estabelecem clientelas e prejudicam negócios), ajudar sectores (que perpetua favores e encarece produtos). Esta foi precisamente a política seguida pelos sucessivos ministérios que nos trouxeram à crise. Eles achavam saber melhor que a sociedade o que havia a fazer, e o resultado está à vista. A década perdida da economia portuguesa, que já se aproxima de década e meia, foi o mais intenso período de política de crescimento da nossa história. Isto não constitui um paradoxo pelo simples facto de que crescimento económico não é política, mas economia. Em certo sentido é o oposto da política.
A razão deste mal-entendido não é distracção ou ignorância. O motivo é que grande parte daqueles que exigem crescimento têm uma agenda própria, que pretendem mascarar de progresso. O que se passa é que na nossa comunicação social raramente se ouve a voz das forças produtivas, dos consumidores, dos pobres. Quem domina o espaço mediático são os grupos de pressão, interesses instalados, organismos de poder. Esses são os que ganham dinheiro com os subsídios, incentivos, planos e ajudas. Esses, mesmo que o crescimento nunca chegue a ser promovido, já receberam o seu. O que eles querem não é crescimento mas política de crescimento.
Portugal precisa de crescimento. Para isso é urgente liberalizar a economia, deixar trabalhadores e patrões fazerem aquilo que sabem, satisfazer clientes, nacionais ou estrangeiros, sem terem ministros, deputados, burocratas e intrigistas a tapar o caminho. É urgente que as principais preocupações das empresas sejam as necessidades dos consumidores e a ameaça dos concorrentes, não os regulamentos e formulários, requerimentos e licenças, grupos de pressão e interesses. Disso temos tido a nossa conta nas últimas décadas, e com eles aprendemos a destruir o crescimento. Agora está na altura de inverter o processo porque, como todos estamos de acordo, Portugal precisa de crescimento.
Vamos à raiz do problema
Um dos principais problemas (ou o principal) da crise financeira que Portugal atravessa é a demografia actual. Ter muito menos população e uma pirâmide demográfica invertida gera tantos problemas económicos que nem vale a pena listá-los. E com a dívida que o país tem, e uma segurança social que promete o que não pode cumprir, ainda se torna mais grave. Um forte decréscimo na população autóctone dum país é sempre um problema sério, de consequências vastas e prolongadas no tempo.
Fonte: Cachimbo de Magritte
Eutanásia: Matar a compaixão ou matar com compaixão?
Anteontem, em conversa ao almoço, conversava sobre a perda do sentido ético e moral da sociedade em que vivemos e o caminho tenebroso que se avizinha no dia de amanhã. Então, punha-se uma questão interessante e, ao mesmo tempo, preocupante: será que as pessoas sabem realmente o que é a eutanásia e tomarem uma posição consciente perante ela? Provavelmente, e atirando um número ao calhas, cerca de 70% da população não sabe distinguir os vários tipos de eutanásia nem pesar devidamente os prós e contras desta prática. E quando vier um referendo? A maior parte das pessoas aprova esta prática, porque é opinião geral criticar ver uma pessoa a sofrer no hospital. Será que tudo se resume a isto? E é graças ao consequente liberalismo político e pluralismo a que somos impostos que as pessoas dispersam e perdem os valores morais realmente essenciais. Basicamente, a maior parte das pessoas não sabe o que quer e vai com a moda. E a moda agora é "Eutanásia, sim".
A expressão "morrer com dignidade" transformou-se num slogan confuso. Por um lado, é proclamado por pessoas favoráveis ao desligamento de máquinas que mantêm o doente vivo. Por outro lado, é defendido por aqueles que, contra a transformação da pessoa humana num mero objecto, colocam-se contra o prolongamento abusivo da vida humana através de tratamentos extraordinários sem efeito.
Que postura é moralmente correcta?
Ser doente não é sinónimo de ser sucata. Os hospitais têm sido convertidos em autênticas oficinas de reparações: ou se consertam os pequenos defeitos ou o destino é a sucata. Quem assim o ordenou foi a nova aristocracia do bem-estar e do controlo demográfico. A medicina tornou-se, numa palavra, um instrumento da engenharia social. Os médicos têm de compreender que o seu primeiro dever ético - o respeito pela vida - se concretiza, em primeiro lugar, no respeito pela vida debilitada. O respeito pela vida está ligado, de forma indissolúvel, à aceitação da sua vulnerabilidade, à fragilidade do homem e à inevitabilidade da sua morte.
Legalmente, partindo do princípio que vivemos num Estado de Direito, temos o pressuposto da protecção da vida dos seus cidadãos. Também sabemos, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que todas as pessoas têm o direito à vida, a cuidados de saúde e a segurança em caso de doença. Só por este prisma, desde logo percebemos que há um grande conflito ético em permitir a prática da eutanásia para "aliviar o sofrimento de uma pessoa". Tendo em conta o juramento de Hipócrates, os médicos deveriam considerar a vida algo sagrado e, consequentemente, a eutanásia considerar-se-ia homicídio. Cabe assim ao médico, cumprindo o juramento de Hipócrates, assistir o paciente, fornecendo-lhe todo e qualquer meio necessário à sua subsistência.
A eutanásia pode parecer um acto de liberdade mas, ao fim e ao cabo, trata-se da supressão da própria liberdade. Torna-se evidente a desumanização e anti-socialização pela eutanásia, porque ataca o próprio fundamento da comunidade que é a vida dos seus membros.
A atitude moralmente correcta será, portanto, uma postura defensora da ortotanásia, ou seja, o uso de cuidados paliativos como instrumentos de preservação da dignidade humana nos momentos finais da vida.
Nunca é lícito matar o outro, ainda que ele o quisesse e mesmo que ele o pedisse. Nem é lícito sequer quando o doente já não está em condições de sobreviver.
Querem mais do mesmo?
NÃO VOTEM PS!
Lembrem-se do passado:
- Desemprego de 6,6% para 12,4% (650.000 desempregados)
- Legalização do aborto
- Dívida pública de 56% para 100% (€200.000.000.000)
- SCUT que afinal têm que se pagar
- TGV
- IVA de 19% para 23%
- Fecho de maternidades e cortes na saúde
- Corte ao financiamento dos colégios
- Dívida externa de 167% para 230%
- Avaliação dos professores
- Legalização do casamento homossexual
- Nomeações polémicas de gestores públicos
- Freeport
- Novas Oportunidades
- Congelamento das pensões
- ...
Querem continuar assim?
Ou preferem dar um pontapé no Socras e sair do fundo do poço?
Certamente, muito progressistas...
Fonte: O Insurgente
Neste site, os certamente muito progressistas Pete e Alisha colocam à votação dos visitantes a opção de continuarem a gravidez de Alisha ou abortar. Próximo passo será um reality show. Mais um avanço civilizacional do Ocidente.
Casamento: sacramento ou contracto?
Não tenho quaisquer dúvidas de que o alicerce crucial para formar uma família íntegra, una e feliz é o casamento entre homem e mulher que edificaram a sua relação no Amor, Verdade e Fidelidade, na presença de Deus.
Sublinho a importância da presença de Deus como testemunha dos votos que cada um fez pelo outro, porque é a partir daqui que surge a enorme diferenciação entre matrimónio, enquanto sacramento da Igreja, e “casamento civil”, e é também ponto de partida para inúmeras problemáticas sociais.
No Código Civil vigora o seguinte, a respeito da noção de casamento:
«Contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida».
O Código Civil actual, no que toca à legislação sobre o casamento, é um completo atentado à estrutura e integridade da família e da sociedade!
Nota-se, desde já, a exclusão de um detalhe importantíssimo, que é o casamento enquanto união de duas pessoas de sexo diferente. O casamento homossexual, para além de ser “contra-natura”, vem contribuir para a decadência social, perda dos valores de família e declínio da natalidade.
Mas, não menos importante, não se verifica a noção de futuro, não é dado o relevo adequado à solenidade e imponência que é a união de homem e mulher numa só pessoa. Não é sequer referenciada a obrigatoriedade dos cônjuges de gerar família ou de fazer perpetuar a sua união no tempo! Fala-se em constituir família, mas não em construir família!
No Catecismo da Igreja Católica, sobre o sacramento do matrimónio, consta o seguinte:
«O pacto matrimonial, entre os baptizados, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole, foi elevado por Cristo, como Senhor, à dignidade de sacramento.»
«O amor conjugal comporta um todo em que entram todas as componentes da pessoa (…) visa uma unidade profundamente pessoal – aquela que, para além da união numa só carne, conduz à formação dum só coração e duma só alma; exige a indissolubilidade e a fidelidade na doação recíproca definitiva; e abre-se para a fecundidade. (…) características normais de todo o amor conjugal natural, mas com um significado novo que não só as purifica e consolida, mas as eleva ao ponto de fazer delas a expressão de valores especificamente cristãos.»
Deparamo-nos, evidentemente, com um grande desnivelamento entre o matrimónio e o chamado “casamento civil”.
Para começar, o matrimónio é uma cerimónia celebrada com Deus enquanto testemunha dos cônjuges, e só isso reveste esta celebração da máxima solenidade. O próprio Deus é o autor do matrimónio: convida-as a se tornarem uma só pessoa, e nutre tão grandemente o Amor que as envolve, fomenta sobremaneira o seu crescimento interior, que esse Amor quer crescer para fora, quer gerar frutos. O sacramento do matrimónio confere aos esposos a graça de se amarem com o amor com que Cristo ama a sua Igreja, graça que aperfeiçoa assim o amor humano dos esposos.
Atentem às obrigações, enquanto casal, de comunhão íntima de TODA a vida, de fidelidade, de fecundidade! Nada disto vem escrito em decretos-lei! A unidade, a indissolubilidade e a abertura à fecundidade são essenciais ao matrimónio. Atentem à importância do seu cumprimento! São estes princípios irrevogáveis que conferem ao casamento, enquanto sacramento, a sua solenidade.
Após esta reflexão (espero) esclarecedora, creio ter legitimidade para perguntar:
Que importância tem a lei neste assunto?
Porque querem equiparar coisas que são inevitavelmente inigualáveis?
Que ridícula e insignificante validade tem um “casamento civil”, comparativamente ao matrimónio pela Igreja?
Graças aos facilitismos que se têm permitido até aos dias de hoje, uma série de situações potencialmente destrutivas se têm concretizado.
Uma mulher engravida antes de se casar e o casal decide fazê-lo de imediato, sem ter plena consciência do significado de casamento (se bem que já não teve consciência aquando da consumação do acto sexual). Na melhor das hipóteses, se o casal tiver uma formação pessoal minimamente aceitável, assume as responsabilidades implícitas e esforça-se para conceber uma família una e saudável. Todavia, (excluindo a hipótese de aborto) o mais presumível é que, mais tarde, as consequências destas precipitações indevidas tomem parte e o casal opte por seguir um caminho mais fácil, que é o divórcio; o filho que arque com as consequências.
Um casal com filhos divorcia-se. Excluindo as situações que representam uma plausível anulação do casamento pela Igreja, um casal que se divorcia, tendo ou não filhos, constitui um impropério! Um casal é aquele que promete, perante Deus, amar o outro e ser-lhe fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da sua vida. Casal que não cumpriu essas promessas ou que obteve esse título por mero contracto civil não é, nunca foi nem será um verdadeiro casal. Mais ainda, que exemplo estão a dar aos filhos? Perante tão observável ruptura de valores, com que naturalidade e segurança é que no futuro decidirão construir uma família? Antes disso, que questões levantarão acerca dos princípios que lhes foram transmitidos ao longo da vida?
No seguimento da situação anterior, um dos cônjuges “casa” novamente. Constitui nova família? Pode dizer-se que sim. Constrói família? De todo, destrói! Ao consentir este acto, não está só a desrespeitar os princípios sobre os quais ergueu o seu casamento, como também está a criar uma ruptura com a sua família autêntica. Decide ter mais filhos. São irmãos ou “meio-irmãos” dos filhos que gerou anteriormente? De modo algum. Irmão é filho do mesmo pai e da mesma mãe, e não filho de um “anexo” que se emparelhou à família. Novamente, quem sofre as consequências dos actos de gloriosa juventude dos pais, sem culpa nenhuma no cartório, são os filhos. Usam o argumento que esses novos filhos não têm culpa e que os temos que aceitar como nossos irmãos. Mas que culpa têm os verdadeiros filhos? Certamente não foram eles que cometeram as asneiras, por isso nada ainda mais fora do normal deve ser exigido deles.
Um homem e uma mulher casam-se, acordando que não pretendem ter filhos no futuro ou impondo um número limite de filhos. Onde é que reside o princípio da fecundidade do casal, que tão essencial é para a integridade da família? Arguir não ter paciência e/ou tempo para criar e educar filhos é de um egoísmo e egocentrismo tremendos por parte do/s cônjuge/s. Sobretudo se o casal se considerar cristão. Já que na sociedade não está vinculada legalmente essa obrigação, cabe-nos a nós, cristãos, contrariar as novas tendências esquerdistas, acolher a responsabilidade de ser casal e defender os valores da família, entidade tão exasperada nos dias que correm.
Se estas catástrofes se tornaram cada vez mais frequentes, foi graças a políticas de esquerda, que se dizem modernistas ao serem permissivas mas que são altamente irresponsáveis. Por lhes estar acoplada uma espantosa facilidade na resolução de problemas, pouco a pouco naturalmente (e erradamente) caíram nas boas graças dos portugueses e se tornaram moda.
Da quebra com os valores da Igreja e da prevalência de governos de esquerda, resulta que hoje em dia ser família é uma raridade e anormalidade social, é motivo para olhar de lado.
Se estas catástrofes se tornaram cada vez mais frequentes, foi graças a políticas de esquerda, que se dizem modernistas ao serem permissivas mas que são altamente irresponsáveis. Por lhes estar acoplada uma espantosa facilidade na resolução de problemas, pouco a pouco naturalmente (e erradamente) caíram nas boas graças dos portugueses e se tornaram moda.
Da quebra com os valores da Igreja e da prevalência de governos de esquerda, resulta que hoje em dia ser família é uma raridade e anormalidade social, é motivo para olhar de lado.
Segue o apelo do Santo Padre na visita a Fátima:
«As iniciativas que visam tutelar os valores essenciais e primários da vida, desde a sua concepção, e da família, fundada sobre o matrimónio indissolúvel de um homem com uma mulher, ajudam a responder a alguns dos mais insidiosos e perigosos desafios que hoje se colocam ao bem comum. Tais iniciativas constituem, juntamente com muitas outras formas de compromisso, elementos essenciais para a construção da civilização do amor»
O único futuro
«O casamento é a realização mais espantosa da humanidade. A mais utilizada forma de transmitir a existência e a única eficaz de transmitir a civilização. Que duas pessoas tão diferentes encontrem uma complementaridade fecunda para a vida e, através da sua união, dêem substância e continuidade à comunidade humana é sublime. Mais ainda, uma descrição objectiva do que está implicado na vida quotidiana de um casal mostra a qualquer observador perspicaz que ele é formalmente impossível. As núpcias que permanecem não são as fáceis e sem problemas, porque essas não há. Todos os casamentos são impossíveis. Alguns simplesmente existem e persistem. Os casamentos que duram constituem a realização mais espantosa da humanidade.
O nosso tempo adicionou aqui uma dimensão. Em vez de o considerar como ele é, um bem precioso, frágil e essencial, decidiu procurar formas alternativas de transmitir a existência e a civilização. Sempre houve promiscuidade, adultério, divórcio, união de facto, consequências directas da impossibilidade do casamento. Esta é a primeira época que admira e promove esses comportamentos, enquanto inova furiosamente em contraceptivos e procriação artificial. Além disso, desconfiando da capacidade dos pais para ensinar os valores básicos, entrega ao Estado ou ao mercado essa função. A doutrinação ideológica, mascarada ou não de educação, e os desenhos animados são as formas contemporâneas de transmitir a civilização.
A consequência disto, outra novidade, é a aparente derrocada conjugal. No caso português, a taxa bruta de casamento em 2008 foi de 4,1 por mil habitantes, metade da taxa de 1979 e pouco acima da taxa de divórcios, 2,5 por mil, que quadruplicou nestes 30 anos. Os nascimentos fora do casamento subiram de 8,2% em 1979 e 14,7% em 1990 para 36,2% hoje. Muitos interpretam estes números como a obsolescência do casamento. Pelo contrário, o espantoso não é serem tão negativos, mas ainda serem significativos.
Considerando a campanha cruel, esmagadora e obsessiva que as últimas décadas moveram contra o casamento, o que surpreende é que tenha resistido como resistiu, e continue a ser a mais utilizada forma de transmitir a existência e a única eficaz de transmitir a civilização. A maior parte das instituições assim atacadas desapareceu.
Filmes, revistas, séries e jornais, junto com leis, políticas, discursos e programas, todos se uniram para evidenciar o que sempre se soube: o casamento é impossível. Não notam que, ao fazê-lo, serram o tronco onde se sentam. Esta louca insistência nas óbvias dificuldades matrimoniais, sem alternativas válidas, só pode ter um resultado: a decadência social. Não só a fertilidade atingiu na Europa níveis de extinção da espécie, mas a solidão, depressão, traumas infantis, agressividade, suicídio chegaram a níveis patológicos. Os esforços do nosso tempo para abandonar o casamento só conseguiram destruir-nos.
Esta atitude tem as suas razões. Nasce da reacção a um erro dos séculos anteriores, que por vezes desequilibrou as duas dimensões do casamento. Nas gerações precedentes, o elemento romântico e emocional da união dos esposos foi frequentemente secundarizado em favor da estrutura social. Os pais combinavam os noivos porque casamento era, antes de mais, futuro do clã, alianças genealógicas, interesses de herança. Paixão, amor e sexo eram exteriores ao vínculo nupcial. Não se deve exagerar esta situação, porque a maioria dos casamentos sempre foi normal, mas certos estratos enviesaram neste sentido.
As gerações actuais caíram no extremo oposto. Repudiam justa e fortemente este modelo mas absolutizam a liberdade e emoções conjugais. Desprezando o casamento de conveniência e as alianças de clã acabam por abandonar o próprio casamento. O fundamentalismo erótico anula a relação ao primeiro obstáculo e chega a ridicularizar a procriação. Este modelo é tão desequilibrado quanto o anterior, mas, ao contrário dele, implica a extinção da sociedade. Porque o casamento, mesmo impossível, é o nosso único futuro.»
João César das Neves
Are we getting older?
«Portugal vive momentos históricos em termos de população, com um número de óbitos superior ao de nascimentos em 5000, mínimos memoráveis de fecundidade e um envelhecimento recorde, segundo um perfil da população portuguesa.»
A Europa enfrenta hoje uma grande ameaça: a do envelhecimento da população.
A grande fasquia da população portuguesa não vê incentivos nem razões para formar um casal e criar uma família numerosa. Há falta de humanidade nas pessoas, falta de sentido de vida, mas a origem da culpa está longe de residir nelas.
Afirmou Piaget que o comportamento humano resulta de uma construção progressiva do sujeito em interacção com o meio. Na actualidade em que vivemos, os estímulos positivos para seguirmos uma correcta conduta de vida são escassos. Somos constantemente confrontados com uma sociedade de qualidade de vida precária e que se degrada cada vez mais, que aos olhos de muitos requer talvez uma colher de chá de Humanismo. O que é certo é que a crise que se criou e se acomodou em Portugal não está só de passagem, simplesmente porque ninguém se preocupa em combatê-la objectiva e competentemente.
As repercussões deste desânimo generalizado observam-se notoriamente ao quantificarmos a população portuguesa. Apresenta-se-nos uma diminuição acentuada da taxa de natalidade, enquanto a taxa de mortalidade se tem mantido estável ao longo dos anos. Não é preciso saber muito de Geografia para perceber que a pirâmide está desequilibrada, a população está envelhecida e não é renovada adequadamente...
À la table, são-nos servidos os seguintes pratos: contracepção; crise tremenda de valores humanos; profundas alterações nos padrões de vida que se repercutem na família; incerteza quanto ao futuro; falta de apoio à maternidade; dificuldade em conciliar família com trabalho.
É certo que vigora há muito tempo a política dos facilitismos, e a contracepção não foge à regra. Qual é a maneira de satisfazer os nossos impulsos sem consequências que mudem significativamente o estilo de vida das pessoas? É a contracepção! Há pessoas que banalizam o acto sexual até ao seu mais ínfimo detalhe, esquecendo-se do seu significado enquanto gerador de família, sabendo que há sempre alguma solução para fugir às responsabilidades que os seus actos impõem; temos também os casais que dela se servem como meio de controlo, porque num certo egoísmo dizem só ter paciência para aturar um ou dois filhos.
Em matéria dos valores humanos, muito há para dizer. Num país em que desde sempre os regimes de governo foram fundados e edificados com alicerces no Cristianismo, nota-se claramente que existe um fosso entre Estado e Igreja, ele é real e está a aumentar! Um dos contribuintes, ainda que em pequeno grau, para a criação deste fosso foi a Constituição Portuguesa, devido à promulgação da liberdade de religião e cultura, de um Estado laico. Abrindo-se uma porta, são exclusivamente certos condicionalismos que decidem se essa porta vai ou não ser atravessada. Contudo, não nos enganemos, porque a grande bomba que criou e continua a alargar este fosso foi lançada pelas políticas de esquerda! Apontem o dedo ao senhor engenheiro a pavonear-se em frente às câmaras televisivas aquando da comemoração dos 25 anos de uma mesquita em Portugal, enquanto na sua boa figura se dirige ao Papa Bento XVI por "Sua Eminência". A este senhor devemos a liberalização do aborto e dos casamentos homossexuais, verdadeiros atentados à estrutura da família, mas ainda assim parece difícil a muita gente identificar os culpados do agravamento do envelhecimento da população. Já não há valores de família, há antes a revigoração da célebre expressão de Horácio, o "Carpe Diem", ainda que um tanto quanto adaptada: vivam a vida como melhor entenderem; vivam o presente e não se preocupem com o futuro, decerto alguém virá para apagar os nossos erros.
Portanto, não é de surpreender esta assombrosa quebra de estilos de vida observada entre as gerações do século XX e a nova geração rosa. Falta integridade ao ser humano, faltam exemplos de vida e referências para a sua formação pessoal. Quando, no tempo dos meus avós, uma família pequena era raridade, hoje em dia deparo-me com o oposto completo: um casal com três filhos já se considera motivo para espanto!
É verdade que no panorama comum, nos dias que correm, com o agravamento socio-económico do país, ter uma família numerosa pode trazer algum receio aos novos casais. Obviamente há falta de incentivos para tal, e atentando no que é mais óbvio a maior parte das pessoas tende a pensar em si do que em pensar nas responsabilidades que têm para com a sociedade, chegando até a optar por ter um casamento sem filhos. Não podemos fugir às responsabilidades de casal que nos são impostas, e já nem digo enquanto cristãos, porque se a população está a envelhecer, cabe-nos a nós reverter essa tendência e lutar pelo bem maior, mesmo que o Governo não tenha em grande conta este problema. E digo que não tem isso em conta porque não mostra medidas que indiquem o contrário. Ao invés, vemos, por exemplo, o fecho das maternidades como medida de contenção de gastos na saúde, a inexistência de medidas de incentivo à natalidade como a majoração do abono de família e atribuição de subsídios às famílias numerosas.
Para somar à mescla de agravantes, há que atentar nas condições de trabalho dos portugueses. O IVA aumenta, os descontos aumentam e, completamente contra o que seria lógico, os salários diminuem. Se vivêssemos só de ar, estas medidas de "apertar os bolsos" não representariam qualquer problema, mas para já não somos assim. Os portugueses vêem-se forçados a trabalhar mais horas e/ou a ter mais do que um trabalho, e assim torna-se difícil conciliar a vida familiar com a vida profissional. Acredito que, se as condições de vida fossem outras mais favoráveis, grande parte das pessoas teria de bom grado e com grande felicidade uma família numerosa, e isso constitui mais um factor a adicionar ao somatório do desalento da população.
Há muita coisa que está mal em Portugal, mas parece que o envelhecimento da população não faz parte do leque de problemas de maior relevo. Liberalizar os casamentos dos homossexuais é, de facto, deveras mais importante... Será que vamos ser colonizados por muçulmanos?




