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Sabedoria Eclesiástica



Tudo tem o seu tempo e ocasião, todas as tarefas sob o sol:

Há tempo de nascer, e tempo de morrer;

Tempo de plantar, e tempo de arrancar;

Tempo de matar, e tempo de sanar;

Tempo de derrubar, e tempo de construir;

Tempo de chorar, e tempo de rir;

Tempo de fazer luto, e tempo de dançar;

Tempo de atirar pedras, e tempo de as apanhar;

Tempo de abraçar, e tempo de se separar;

Tempo de procurar, e tempo de perder;

Tempo de guardar, e tempo de deitar fora;

Tempo de rasgar, e tempo de coser;

Tempo de calar, e tempo de falar;

Tempo de amar, e tempo de odiar;

Tempo de guerra, e tempo de paz.

25 outubro 2012
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Ainda te falta alguma coisa


Só Deus pode criar, mas tu podes dar valor ao que Ele criou.
Só Deus pode dar a vida, mas tu podes transmiti-la e respeitá-la.
Só Deus pode fazer crescer, mas tu podes guiar e orientar.
Só Deus pode dar a fé, mas tu podes ser um sinal de Deus para o teu irmão.
Só Deus pode dar o amor, mas tu podes aprender a amar o teu irmão.
Só Deus pode dar a esperança, mas tu podes devolver a confiança ao teu irmão.
Só Deus é o caminho, mas tu podes ensiná-lo ao teu irmão.
Só Deus pode fazer milagres, mas tu tens de oferecer-Lhe os teus cinco pães e dois peixes.
Só Deus pode fazer o impossível, mas tu tens de fazer o possível.
Só Deus Se basta a Si mesmo, mas Ele quis ter necessidade de cada um de nós.



22 outubro 2012
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Then I saw God


«Que maravilhosa a visão das colinas às 7h45 da manhã! Sendo as mesmas de sempre à tardinha, recolhem a essa hora a luz duma maneira inteiramente nova, simultaneamente terrena e etérea, com delicadas manchas de sombra e escuros enrugamentos e ondulações de terreno em lugares onde nunca os vira antes, e tudo ligeiramente velado por uma neblina que lhe dá a aparência de costa tropical, ou de continente recentemente descoberto. Uma voz parecia gritar dentro de mim: "Olha, repara bem". Porque estas é que são as verdadeiras descobertas, e para isso é que estou aqui no mais alto mastro da minha nau (onde sempre estive) e sei que a direcção que levamos é a correcta, pois nos cerca a toda a volta o mar do paraíso»

Thomas Merton
04 outubro 2012
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Ser católico na política

Ser católica na política
Soa-me sempre um pouco estranho quando me perguntam como é ser católico na política. Fico a pensar em que particularidade haverá quando comparado com ser católico no trabalho em geral ou em casa ou com os amigos ou com as pessoas com quem casualmente nos cruzamos na vida. É diferente?
“Ser católico” contém a resposta em si mesmo: é-se católico, não se está católico num momento ou numa condição, é-se ou procura-se ser em todos os momentos e em todas as circunstâncias. E por isso só sei responder o que é para mim ser católica ou, dito de outro modo, como me sinto católica. E aqui, na política, como na Faculdade ou na advocacia ou em qualquer lado, para mim ser católica é procurar sempre pôr a render ao serviço dos outros os talentos que Deus me deu e através desse serviço, desse acolhimento, dessa atenção e preocupação, sentir o Seu perfume e viver o Seu amor. 
Não me sinto especificamente “católica na política”, procuro ser católica, da mesma maneira, em todo o lado, mas sei que estou na política porque sou católica.
 
Assunção Cristas
In Observatório da Cultura, n.º 14 (Novembro 2010)
06 julho 2011
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

A flor-de-lis


      A origem do significado da flor-de-lis (simbolicamente identificada ao lírio e à íris) remonta à Monarquia Francesa de Luís VII. O monarca adoptou a íris como seu emblema, atribuindo às suas três pétalas a Fé, a Sabedoria e o Valor. O nome Luís escrevia-se, nessa época, Loys ou Louis, tendo então a flor evoluído de “fleur-de-Louis” para “fleur-de-lis”. Mas, avisto que ele já aparece em 496 d.C., quando um anjo apareceu a Clovis, rei dos Francos, e lhe ofereceu um lírio, acontecimento que concorreu para a sua conversão ao Cristianismo. verdade é que o monarca adoptou este símbolo,
     Cedo se tornou símbolo de poder e soberania, de realeza que se faz por intervenção divina, o que a leva também a simbolizar a pureza do corpo e da alma. Por isto, os antigos reis europeus eram divinos por sagração directa da divindade na pessoa da autoridade sacerdotal, e para o serem teriam, em princípio, que ser justos e puros, como o foi Maria, “Lírio da Anunciação e Submissão". Este símbolo também já era conhecido pelos monarcas e príncipes de Portugal, pois a partir de D. Afonso Henriques, e principalmente desde finais do século XIII, o lírio estilizado flor de lis aparece em pleno nas armas portuguesas, com todo o simbolismo imediato e substrato inerente.
     A lis ou lírio faz-se símbolo da eleição, da escolha do ser amado, como diz o Cântico dos Cânticos (1, 2): «Como o lírio entre os cardos, assim a minha bem-amada entre as jovens mulheres». A “bem-amada” é a alma universal, Amor puro, virginal, universal, cuja tomada de posse foi privilégio de Israel na pessoa do rei David, logo adoptando a flor de lis dourada para figurar sobre o fundo azul do seu pendão; esse foi o privilégio de Maria entre as mulheres de Israel, e logo, como Mãe Soberana, entre as mulheres do Mundo.
      Foi assim que essa planta se tornou, no Cristianismo, o símbolo do amor puro e virginal.  O Anjo Gabriel  é representado iconograficamente com um lírio na mão, o mesmo acontecendo com o esposo José e os avós maternos de Jesus, Joaquim e Ana. O lírio simboliza também a entrega à vontade de Deus, isto é, à Providência, que cuida das necessidades dos seus Eleitos, como assegura Jesus no Sermão da Montanha: «Vede os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam» (Mt 6, 28). Assim, entregue sem condições entre as mãos de Deus, o lírio está melhor protegido ou vestido que Salomão em toda a sua glória, de maneira que simboliza o abandono místico à Graça de Deus.
     Esta flor também está associada aos escuteiros, sendo o símbolo do escutismo. As três pétalas significam os três artigos da sua promessa: verdade, dever para com Deus, lei do Escuteiro.
     No século XX, Lord Baden-Powell pediu autorização ao Dept. de Guerra para conceder a cada soldado que se qualificasse como explorador um emblema que o distinguisse. Escolheu a flor de lis, que apontava o Norte nas bússolas. Quando os Escuteiros começaram, anos mais tarde, usou o mesmo emblema para eles, pois, tal como os exploradores militares, os Escuteiros podiam prestar um serviço igualmente valioso ao seu país.
     No ano passado, fui presenteado com um marcador de livros que possui o brasão da família Pereira, em homenagem a Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável de Portugal. Este mesmo brasão possui no seu desenho a flor de lis: símbolo da paz, da pureza, da realeza e de Cristo filho do Homem; símbolo da Virgem Maria, do amor puro, virginal e universal; flor representada por três pétalas, o que faz dela um símbolo da Trindade; símbolo dos escuteiros, representando a verdade, o serviço e a fé.
     Hoje perguntava-me que símbolo poderia resumir o modo como quero e me comprometo a viver. Não conseguia encontrar a resposta, quando ela estava à distância de um braço, dentro dum livro. Viver ao serviço dos outros, defender a verdade e a fé católica, praticar o bem para Deus.

16 fevereiro 2011
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

O lado "oculto" da Igreja

Segue carta do padre salesiano uruguaio Martín Lasarte, que trabalha em Angola, de 06 de abril e endereçada ao jornal norte-americano The New York Times. Nela expressa seus sentimentos diante da onda mediática despertada pelos abusos sexuais de alguns sacerdotes em contraste com o desinteresse que o trabalho de  milhares religiosos suscita nos meios de comunicação.

 
«Querido irmão e irmã jornalista: sou um simples sacerdote católico.  Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas,  que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de  inocentes. Não há palavras que justifiquem estes atos. Não há dúvida de que  a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e prevenção da  dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.
Vejo em muitos meios de informação, sobretudo em vosso jornal, a ampliação  do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros  casos mais recentes...
 
Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas  e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.
 
É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e  dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo!
 
Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei  transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs  não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Moxico com apenas um único posto médico em  90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais  de 110.000 crianças...
 
Não é do interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha,  depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.
 
Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda  curando os meninos de rua, levando-os a uma casa de acolhida, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.
 
Tampouco que Frei Maiato, com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os doentes e desesperados.
Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos em um leprosário, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feiticeiros ou órfãos de pais que morreram de Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a seropositivos... ou, sobretudo, em paróquias e missões dando  motivações às pessoas para viver e amar.
 
Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurelio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os  tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras  catequistas, tenham morrido em um acidente na estrada quando iam prestar  ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos  primeiros sacerdotes que chegaram à região... Nenhum passa dos 40 anos.
 
Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” em seu dia a dia, em  suas dificuldades e alegrias consumindo sem barulho a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa-Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou  na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta  que cresce.
 
Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não  é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura...
Insistir de forma obsessiva e perseguidora em um tema perdendo a visão de  conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico  na qual me sinto ofendido.
 
Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso  o fará nobre em sua profissão.»
20 julho 2010
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Em mãos

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