O rosto da mentira


     Creio ser importante retirar alguns pontos de referência do debate político que se sucedeu esta Segunda-feira, para dar aos cidadãos algum sentido de voto e alguma coerência política.

     «Sondagens não ganham eleições», mas influenciam votos. O CDS-PP é uma alternativa válida de Direita, mas o eleitorado que se considera de Direita tem medo de votar nessa alternativa por estar a roubar votos ao maior partido da Oposição. Isto é uma tremenda irresponsabilidade, porque o direito de voto deve ser exercido em plena consciência dos ideais do seu partido político e não em função do medo de os outros partidos ganharem. Neste momento, o PSD já perdeu pontos percentuais nas sondagens, devido às suas incoerências, e isso está a reflectir-se negativamente no eleitorado do CDS-PP. Votar é um direito, mas também é uma responsabilidade. Tenham em conta que, se votarem no PSD e esse partido vier a governar, as consequências negativas do seu governo vão cair sobre as vossas cabeças. Dar o voto ao CDS-PP é dar lugares a esse partido no Parlamento, e isso é importante se queremos que as nossas ideias políticas pesem no governo.

     «Quem convida todos os partidos ao mesmo tempo para o governo é porque está à espera que nenhum aceite». É a prova de um partido que não assume identidade política, um Partido Socialista que não tem os ideais do socialismo, e de um partido que não demonstra confiança a nenhum líder de bancada parlamentar nem ao povo português, que o elegeu sem maioria absoluta.

     As duas teses de José Sócrates. «A dívida portuguesa subiu porque as outras subiram também». A dívida pública portuguesa subiu nestes últimos seis anos mais de 30 pontos, tendo sido esta subida superior em relação à Alemanha, Espanha, França, Itália, Eslovénia, Holanda, Áustria, Rep. Checa, Finlândia, Polónia, e por aí fora. Assim sendo, o Primeiro Ministro devia ter percebido que era perigoso estar a agravar a dívida portuguesa neste período quando grande parte da nossa dívida está no exterior, o país não poupa o suficiente e não apresentou crescimento económico significativo. «O Dr. Paulo Portas nunca apresentou propostas para combater a crise (...) nunca apresentou medidas para uma consolidação orçamental». Seguem-se então as propostas que têm vindo a ser defendidas: reavaliação das Parcerias Público-Privadas, suspensão e reavaliação das grandes obras públicas, aposta na exportação e na produção agrícola, maior apoio financeiro às PMEs.

     «O Dr. Paulo Portas votou contra as medidas do PEC e com isso abriu uma crise política, com isso empurrou o país para a ajuda externa. E depois subscreveu o acordo que fizemos com a Troika (...) O que é que o país ganhou com isso?». Em primeiro lugar, como ficou provado, as medidas do PEC nunca foram suficientes para combater a crise, caso contrário não haveria uma saga infindável de Programas de Estabilidade e Crescimento; isto porque ainda faltava avaliar o BPN, o BPP e as SCUTs. Em segundo lugar, se um partido não concorda com determinadas medidas, certamente não as vai aprovar, ou abster-se como alguém fez, e a isso se chama ter coerência. Por fim, mesmo que o acordo da Troika com Portugal seja idêntico ao PEC IV, que não é, pessoalmente sinto-me mais seguro se for a Europa a governar os dinheiros públicos e não o PS como o tem feito, com três relatórios de contas diferentes para agradar a gregos e a troianos e mostrar que está tudo bem quando não está; porque quando alguém de fora abre o livro, vemos o pano preto a enegrecer ainda mais.

     «A dívida pública atingiu 170 mil milhões de euros e quando o candidato José Sócrates chegou ao governo era de 84 mil milhões de euros (...) Os juros já custam ao contribuinte mais do que investimos em Educação. Temos 650 mil pessoas no desemprego, enquanto algumas PMEs não conseguem contratar pessoas. Temos em cada 100 jovens, 25 não têm posto de trabalho. Temos a segunda recessão em dois anos». Em matéria de Economia e Finanças, não há muito mais a acrescentar quanto ao desempenho do Governo.

     «José Sócrates não habita a mesma realidade que a esmagadora maioria dos portugueses, perdeu a noção do realismo há muito tempo». Disse que íamos ser o primeiro país a sair da crise, e por agora ela continua a agravar-se quando outros países já dela se recuperam; disse que não íamos precisar da intervenção do FMI, e quando apresentou o PEC IV já tinha um pré-acordo de ajuda externa; disse que nunca seria Primeiro-Ministro com o FMI, e candidata-se novamente nestas Eleições Legislativas; com o dinheiro que a Troika emprestou ao país, José Sócrates vai continuar a investir no TGV em vez de reconstituir o Estado Social.

     «O montante que estamos a pedir à União Europeia é praticamente igual ao valor que a dívida pública aumentou nestes últimos seis anos»

     Falemos dos dois submarinos, que aparentemente são a primeira e única pedra que os socialistas têm a atirar a Paulo Portas, sem sequer se lembrarem de quem partiu originalmente a ideia: «Em números, o TGV são 15 submarinos; a dívida das empresas públicas são 80 submarinos; as Parcerias Público-Privadas são 120 submarinos».


     «Os juros que nós pagaremos com o acordo externo, que se tornou inevitável pela irresponsabilidade do Governo, são juros de 3,5-4,5%, quando os juros que andávamos a pagar a algumas semanas atrás andavam a 6,5% no mercado primário e mais de 10% no mercado secundário». Percebem porque é que o acordo da Troika é mais vantajoso que outros PEC?

     Em relação ao congelamento das pensões previsto no PEC: «o Primeiro-Ministro não deu conta de que estava a congelar as pensões sociais, mínimas e rurais; depois perceberam e quiseram corrigir esta inacreditável injustiça, não de congelarem as pensões mas de retirarem poder de compra das inflacções, mas no texto definitivo do Ministro das Finanças continua a estar que vão poupar 340 milhões nestas pensões».

     A respeito de José Sócrates afirmar que o CDS-PP se manteve pelas caladas durante estes anos de Governo, segue-se a constatação dos factos: «Enquanto o Sr. dizia que a economia ia crescer, nós víamos a recessão a chegar; enquanto dizia que as contas estavam em dia, nós perguntávamos por valores que não se encontravam nas contas; enquanto dizia que o endividamento não era um problema, nós dizíamos que se ia transformar no maior problema do país e que ia sacrificar o próprio crescimento económico». Não restam quaisquer dúvidas sobre o activismo e intervenções políticas do CDS-PP; já o mesmo não é verdade quanto à competência de quem tirou uma licenciatura num Domingo e dos seus gabinetes. O pior de tudo é que José Sócrates é incapaz de reconhecer os seus próprios erros, é um mentiroso compulsivo, e continua a defender que o principal problema do país começou no dia em que se vetou o PEC IV.

     No dia do chumbo do PEC IV, José Sócrates declarou que não havia condições para governar porque a Oposição não apresentava medidas alternativas ao PEC, querendo somente derrubar o governo. Pois bem, as medidas alternativas ao PEC IV propostas pelo CDS-PP, são as seguintes: «reforma do IRS a nível do abono de família e deduções fiscais; créditos fiscais às PMEs que exportem, reinvistam e contratem trabalhadores; estimular o arrendamento de imóveis; redução da taxa social única numa percentagem que não crie um aumento do IVA; privatização das duas maiores empresas a nível de concorrência nos mercados dos combustíveis e da energia».

     Nestas eleições legislativas, o país precisa mais do que nunca que os cidadãos se consciencializem sobre as suas opções políticas. Leiam os programas dos partidos, se o tiverem que fazer, mas votem pelos ideais e não pela conversa. Lembrem-se de todas as mentiras, todos os erros de julgamento, todas as más políticas que o Primeiro-Ministro demissionário e actual candidato do Partido Socialista cometeu. Não podem argumentar que votam Sócrates por falta de alternativas, porque isso é burrice; mas também não podem dizer que votam Sócrates porque tem feito um bom trabalho e está a ser injustamente acusado, porque isso é ainda maior burrice. Este é o rosto da mentira, este é o responsável pelo estado em que o país está.

11 maio 2011
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Inside Job - A Verdade Da Crise

     Do director Charles Ferguson, empresário e matemático, "Inside Job" é um documentário que oferece uma análise abrangente da crise financeira global de 2008, que ao custo de 20 triliões de dólares fez com que milhões de pessoas perdessem os seus empregos e casas, na que foi a pior recessão económica desde a Grande Depressão e que quase resultou num colapso financeiro a nível mundial.
     O filme centra-se nas mudanças do sector financeiro na década que levou à crise, no movimento político em direcção da desregulamentação e em como o desenvolvimento do comércio complexos, como o mercado de derivados, permitiu um grande aumento na tomada de riscos contornando os regulamentos vigentes que eram destinados a controlar o risco sistémico. Ao descrever a crise que se alastrava, também aborda os conflitos de interesses no sector financeiro, muitos dos quais nos é sugerido de não serem devidamente divulgados. Faz notar que estes conflitos de interesses tenham afectado as agências de rating e também professores universitários que recebiam financiamento como consultores mas que não divulgavam essas informações nos seus escritos académicos, sublinhando que esses conflitos desempenharam um papel importante no agravamento da crise.



08 maio 2011
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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CAMTIL: Trolhas 2011

21 abril 2011
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Há uma espécie de devoção ao... teleponto



Caros militantes do Partido Socialista. Bem sei que não sabem que contas hão-de fazer à vossa vida com este acéfalo como vosso secretário-geral. Mas, em vez de interromperem o congresso e insultá-lo, podem pregar-lhe uma partida destas, que seria muito mais fácil e ainda mais divertido:


11 abril 2011
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

O congresso/comício da treta


     Para quem está minimamente atento à política dos dois últimos mandatos do Sócras, percebe que o seu discurso não muda. Continua a ser mesmo muito "ao lado" da realidade. O discurso do coitadinho, o discurso do mártir, o discurso do injustiçado que só quer fazer bem ao país.

     Era completamente evitável entrar numa crise política? Era, se o tivessem posto de lá para fora nas últimas legislativas. A maior parte dos eleitores do PS (e não digo socialistas, porque este PS não tem identidade política e, portanto, quem vota nele também não tem) não tem consciência de voto. Vota porque é moda criticar a Direita e atirar as culpas da crise para a Oposição. Há falta de clareza política na sociedade. Há falta de informação sobre os ideais dos partidos. O voto não é uma tradição a ser herdada da família, é um dever cívico e como tal deve ser exercido em plena consciência das consequências do acto. Votam PS mas não aprovam o Sócras? Muito simples, escolham outro partido que tenha ideias mais claras ou votem em branco.

     «Não estamos em tempo para ideias perigosas», concordo. E o TGV, era realmente necessário? A nossa economia depende assim tanto de um transporte público de alta velocidade para o qual a maioria das pessoas não vai ter possibilidades económicas para usufruir dele? Não será mais importante estimular uma economia de exportação e canalizar os fundos do Orçamento de Estado para o desenvolvimento da agricultura e o apoio às pequenas empresas? Ou até mesmo guardá-los para saldar a dívida externa.

     Já perdi a conta das vezes em que ouvi o Sócras a gabar-se da agenda com ideias claras do seu partido. Avaliação dos professores: modelo apresentado, muitas greves, modelo suspenso, modelo reavaliado, mais greves, modelo suspenso. SCUTs: construção de auto-estradas gratuitas, implementação de portagens, protesto geral e greves de camionistas, portagens suspensas, novo acordo de portagens, mais greves. Novo aeroporto de Lisboa: várias propostas de construção, construção suspensa. Medidas de austeridade: PEC 1, PEC 2, PEC 3, PEC 4 e, por fim, FMI. Liberalização do aborto: não é crime matar um bebé na barriga da mãe, mas, de acordo com a legislação em vigor, se um médico praticar negligência contra uma grávida, é julgado por matar dois seres humanos. Já chega, ou são precisas mais evidências?

     «Uma oposição irresponsável fez cair o Governo mas fez levantar o PS»? Ter-se-á enganado no discurso? Não será antes assim: «Uma oposição responsável segurou o Governo e derrubou o PS»? Acusa a Oposição de ser intransigente e não querer debater as medidas do PEC 4, acusa os outros partidos de empurrarem o país para a crise. Se a memória não me falha, foram apresentados cinco projectos de resolução do PEC 4 na reunião convocada para o debate do PEC, e onde estava o Sócras? Saiu no início do debate. Birra?
     Afirma que fez tudo para evitar a entrada do FMI em Portugal. Eis que senão eles já cá estavam! Aquela apresentação inesperada do PEC 4 em Bruxelas já vinha com água no bico, porque (como admitiu no congresso) já tinha acordado com o BCE e o FMI o pedido de ajuda externa no valor de 80 mil milhões de euros mediante a aprovação das medidas do PEC 4 nessa Cimeira.

     Cabeçalho da SIC Notícias: «Sócrates assume que Governo vai liderar negociações da ajuda externa com UE e FMI». Que acto heróico! Que mais esperariam os portugueses? É um Governo em gestão, mas continua a ser um Governo. Quem tem legitimidade para representar o país no exterior é o Governo, não a Oposição...

     Relatado na TVI 24, sobre este congresso, «o PS proibiu as câmaras de televisão de circularem à vontade na sala, o que lhes permite controlar os planos. (...) As únicas câmaras autorizadas a estar à frente são as da estrutura socialista». É pior que uma ditadura política, nem na cabeça de Hitler esta atitude era aceitável. 

     Felizmente, ainda há militantes do PS que reconhecem a vergonha de líder que o seu partido tem. É o caso de Rómulo Machado, que interrompeu o discurso do secretário-geral do partido, afirmando que «o primeiro-ministro que nos conduziu a esta situação e que conduziu Portugal a uma situação de bancarrota não tem condições para nos fazer sair dela». Acrescentou ainda, e muito bem, que «o congresso não pode ser transformado num comício. Um congresso de um partido democrático deve ser sobretudo um momento alto de debate e confronto de ideias e não de aclamação de um líder».

     Até mete dó ver este congresso. Fazer festa, sabem eles fazer. Quando é para governar no dia a seguir, estão completamente gastos (de ideias).

10 abril 2011
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Olh'ó bluff!



Sócrates já tinha acordado pedido de ajuda externa de 80 mil milhões de euros
quando apresentou PEC 4 em Bruxelas





     «O anúncio das medidas do PEC 4, no mesmo dia 11 de Março em que foi oficializado em Bruxelas, apanhou o país de surpresa. E deixou antever - pela forma como o primeiro-ministro marginalizou ostensivamente o PR e a Oposição do processo - que dificilmente o PEC 4 recolheria o imprescindível apoio maioritário na AR. E que estava próxima a abertura da crise política.
     Ciente de que a negociação do PEC 4 tinha implícito, num segundo momento, o pedido a Bruxelas da ajuda de 80 mil milhões de euros, Sócrates apostou tudo no bluff político e na estratégia de ruptura que permitisse culpabilizar a Oposição, e em especial o PSD, pela queda do Governo e pelo recurso à ajuda financeira da Europa.»


«O compromisso assumido pelo primeiro-ministro português com o Banco Central Europeu (BCE), a CE e o grupo Euro começou a ser negociado no final de Fevereiro e passou pelo encontro, a 2 de Março, em Berlim, de Sócrates e Teixeira dos Santos com a chanceler alemã Angela Merkel.»

     O coitadinho que alegadamente lutou todos os dias contra a necessidade de pedir ajuda ao FMI e que acusou todos os partidos da oposição de terem provocado uma crise política mostrou mais ares da sua mesquinhez e tirou este truque da manga. Afinal de contas, a apresentação do PEC 4 "às escondidas" de Portugal tinha água no bico, aliás, como todas as actuações do Sócras...

     Ainda acham mal o Parlamento ter inviabilizado o PEC 4?

09 abril 2011
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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A Luz fundiu



Fomos à Luz meter os lampiões no armário e proclamar que voltou a melhor (e não a maior) equipa de Portugal!

O grito de revolta do berço da nossa nação assolou a capital!

FORÇA PORTO, SOMOS CAMPEÕES!

03 abril 2011
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves
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Em mãos

Em mãos

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