ADSE: o fim ou um recomeço?

Não são contas muito difíceis de fazer, é só puxar um bocadinho pela massa cinzenta. Em dois anos o Estado gastou 600 milhões de euros com a ADSE. O Ministério das Finanças defende que a partir de 2016 este sistema de saúde terá que ser auto-suficiente. Em 2013 o Estado gastará 136 milhões de euros com a ADSE.

Vejamos. Uma consulta básica de Medicina Dentária custa ao contribuinte 2,49€ (ver tabela). Para um juíz, é o mesmo que comprar um café. Para um auxiliar duma escola, é como pagar um almoço. Porque é que o juíz e o auxiliar contribuem de igual forma para a ADSE? Será que ainda ninguém pensou nisso? Em vez de andarem às cabeçadas a dizer que o sistema acaba, não acaba, muda-se, porque não adaptar as contribuições dos funcionários públicos aos respectivos escalões de IRS?

Ou então, ainda mais simples. Para aqueles que não gostam de fazer as contas: Porque não invertem a tabela, substituindo a contribuição da ADSE pelo pagamento do beneficiário?

Voltando ao preço da consulta. Falo na Medicina Dentária porque é a realidade em que vivo. Quando me refiro a consulta básica, digo nomeadamente um "check-up dentário". No total, a clínica recebe 7,48€, um valor insignificante, que nem chega para pagar as despesas de limpeza do consultório e substituição de material. Para uma consulta de Clínica Geral, esse valor pode ser legítimo e aceitável. Para uma consulta de Medicina Dentária, é incompreensível, sendo a especialidade médica que tem gastos monetários mais elevados de material. Não seria nada do outro mundo se o Estado inflacionasse em 25% os custos tabelados para o beneficiário. Não digo uma percentagem mais elevada porque tenho medo de que me caia em cima o Carmo e a Trindade. Claro que, para a oposição política, seria o apocalipse do estado social. Mas, fazendo as contas à merceeiro, com papel e caneta, a consulta passaria de um total de 7,48€ para 9,35€. Para o beneficiário, seria um aumento de 2,49€ para 4,36€. Pondo os pontos nos i's, afinal nem é assim tanto não é?

Outra sugestão para o Sr. Gaspar. Já pensou em reunir os seus técnicos com um grupo de médicos dentistas que os possam aconselhar devidamente quanto aos preços dos actos médico-dentários? Era melhor para o défice e melhor para os médicos dentistas, do que reunir "homens do dinheiro" para opinar daquilo que não percebem patavina. Ou estarei errado?
24 janeiro 2013
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

"Abandono de princípios cristãos levou à crise económica da Europa"











BUDAPESTE, 20 de novembro de 2012

A Europa deve retornar ao cristianismo para ser possível a regeneração económica  disse o primeiro-ministro Viktor Orban da Hungria numa conferência na semana passada. De acordo com Orban, a crescente crise económica na Europa tem origem na ordem espiritual e não na ordem económica. Para resolver esta crise, ele propôs uma renovação da cultura e da política baseada em valores cristãos para salvar a Europa do colapso económico, moral e social.
"Uma melhoria económica só é possível para a Europa e Hungria se almas e corações melhorarem também", disse Orban no XIV Congresso de Católicos e Vida Pública em "A Esperança é a resposta cristã à crise."
Por detrás de cada economia bem sucedida, disse Orban, há "algum tipo de força motriz espiritual".
"A Europa governada de acordo com os valores cristãos iria regenerar."
"A crise europeia", disse ele, "não veio por acaso, mas pela falta de cuidado e negligência de suas responsabilidades pelos líderes que questionaram precisamente essas raízes cristãs. Essa foi a força motriz que permitiu coesão europeia, família, trabalho e crédito. Esses valores sustentaram poder económico durante muitos anos, graças, principalmente, ao desenvolvimento que naquele tempo foi feito em conformidade com aqueles princípios ".
Num órgão de Informação católico, um site de notícias em língua espanhola, citou Orban que disse que mesmo a crise de crédito foi impulsionado pelo abandono dos princípios cristãos. A Igreja Cristã antes da Reforma, disse ele, sempre se opôs à usura (cobrança de taxas exorbitantes de juros de empréstimos) - uma prática que levou a enorme dívida insolúvel tanto em nível nacional e individual, como os níveis pessoais de famílias.
Numa Europa cristã os excessos que criaram a crise económica não teriam sido possíveis, disse ele. "A Europa cristã teria notado que cada euro é trabalhado. A Europa cristã, não teria permitido que países inteiros fossem afundados pela escravidão do crédito. "
Orban, ele próprio um protestante, disse que foi a Reforma Protestante que primeiro introduziu a era da ganância com uma usura livre e que o crédito tem sido despojado de sua dimensão moral. Referindo-se às duras "medidas de austeridade" impostas pela UE sobre a Grécia e Itália, que resultaram em desemprego e dificuldades económicas, ele disse que os líderes políticos abandonaram os "aspectos humanos" da economia nos esforços para conter as enormes dívidas nacionais acumuladas pelos governos socialistas ao longo do século passado.
Ele citou a nova Constituição húngara como um caminho para toda a Europa, dizendo que ela é baseada na dignidade da pessoa, Estado, família, liberdade, fidelidade e amor, com a obrigação expressa de ajudar os pobres.
Na semana passada, o primeiro-ministro fez comentários semelhantes durante uma cerimónia no Parlamento, em que ele recebeu a Ordem do Mérito da Hungria, a Grande Cruz, para o cardeal arcebispo de Viena, Christoph Schönborn.
Na cerimónia, Orban disse que a Europa que esquece as suas raízes cristãs é como um homem que construiu sua casa sobre a areia. Ele disse que muitas pessoas responsáveis na Europa estão comprometidos com a reconstrução da sociedade europeia da "fundação sólida" de sua herança cristã.
Liderança Hungria e Orban continua a ser uma pedra no sapato do, estatista consenso liberal na União Europeia . A Constituição húngara tem estado sob ataque desde a sua passagem em maio 2011. Ele defende explicitamente os direitos do nascituro e da definição de casamento como sendo entre um homem e uma mulher, e afirma que o cristianismo é a base da identidade nacional húngara.
As cláusulas pró-vida da nova Constituição têm sido particularmente atacadas por lobistas do aborto internacional do Centro para os Direitos Reprodutivos. Johanna Westeson, o diretor regional europeia para o Centro de Direitos Reprodutivos, comentando sobre a situação húngara, disse: "Não é um pró-natalista muito forte (anti-escolha) atual na Europa Central e Oriental e que vai junto com as tendências nacionalistas em muitos desses países. "
"Em toda a Europa Central e Oriental, como o desemprego e os surtos hesita da União Europeia, os partidos conservadores nacionalistas e extrema-direita estão em marcha. Encorajados pelos líderes da direita estão ressuscitando debates em torno do aborto e de outros serviços de saúde reprodutiva, mesmo em países como a Hungria, um dos primeiros países europeus a legalizar o aborto explicitamente ".
04 janeiro 2013
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

«Sejam amigos!»

«Se conhecesses o mistério imenso
do Céu onde agora vivo,
este horizonte sem fim,
esta luz que tudo reveste e penetra,
não chorarias, se me amas!
Estou já absorvida no encanto de Deus,
na sua infindável beleza.
Permanece em mim o teu amor,
uma enorme ternura
que tu nem consegues imaginar.
Vivo numa alegria puríssima.
Nas angústias do tempo, pensa nesta casa
onde um dia estaremos reunidos
para além da morte, matando a sede na fonte
inesgotável da alegria e do amor infinito.
Não chores, se verdadeiramente me amas!»

Santo Agostinho
27 dezembro 2012
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Passagem da noite


«É noite. Sinto que é noite
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se desânimo.
Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.
E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?
É noite no meu amigo.
É noite no submarino.
É noite na roça grande.
É noite, não é morte, é noite
de sono espesso e sem praia.
Não é dor, nem paz, é noite,
é perfeitamente a noite.

Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, posse das ruas.
Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.
Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos.
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!»

Carlos Drummond de Andrade
12 dezembro 2012
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Os trombudos, de MEC

«Uma seita que a crise denunciou bem denunciada foi a seita dos trombudos. Já eram trombudos quando ainda havia algum dinheiro e algum trabalho. Hoje já não há maneira de piorarem a tromba que sempre tiveram, para assinalar a pioria geral que também os atingiu, com toda a força democrática, como se dantes tivessem sido lanternas de esperança, optimismo e boa disposição. Muitos dos que antes eram felizes - talvez sem razão - mas que hoje, com razão, já não o são, tornaram-se trombudos convincentes. Ao deprimir os que ainda têm alguma sorte, prestam um serviço: avisam-nos que a tempestade já chegou. Mas os trombudos de sempre - os pessimistas profissionais que confundiram a relativa felicidade com a fatalidade da nossa actual miséria - não conseguiram acompanhar os movimentos deprimentes dos tempos, porque não deixaram folga na tromba, como quem poupa neura para um dia em que sempre chova, como no sábado passado.
Os portugueses mais novos - os que mais têm razão para estarem trombudos - contrariam uma trombudice de sempre, de que sempre se queixaram quem nos visitou. Nós somos o adjectivo inglês glum. Os trombudos eternos orgulhavam-se disso. Durante a mão-cheia de anos de alívio, avisaram-nos, com tanto prazer como razão, que era sol de pouca dura.
É verdade que durou pouco e que não foi graças a nós. Mas foi sol. E o sol não se esquece. Os trombudos, ao manter os semblantes enquanto a noite se instala, anoiteceram antes do tempo.»

Miguel Esteves Cardoso
29 novembro 2012
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Defender a Esperança


«Diz-se que "a esperança é a última a morrer"; é verdade, mas precisa de ser defendida. A esperança, de facto, não é puro optimismo, não é automática, nem é totalmente espontânea. Pode crescer ou diminuir, tem que ser defendida, guardada, consolidada. Como? O caminho não é negar a realidade, nem evitar conhecê-la. Isso não passa de fuga...
Precisamos de não nos deixar "envenenar", sobretudo diante de uma comunicação social tão negativa e parcial, precisamos de aprender a ver o lado positivo das pessoas e acontecimentos, precisamos de "tirar partido" dos factos e circunstâncias, precisamos de ver na inegável e profunda crise também uma oportunidade e utilizá-la. É a altura de mudar hábitos e rotinas, de dar espaço à criatividade, de não ficar apenas no lamento e de braços cruzados.
A crise é bem real, mas é também uma crise de desânimo e, como se diz, "não há mal que sempre dure". É preciso lutar, tentar, reconhecer que a nossa situação colectiva não é sequer comparável à de muitas situações, muito piores, do nosso tempo e do nosso mundo.
Defender a esperança em nós, antes de mais, mas também defendê-la nos outros, ajudá-los, animá-los, não os deixar afundar ou desistir.
Se o que acabámos de escrever vale para todos, é também uma questão de bom-senso e de sanidade mental, vale muito mais para aqueles que se dizem cristãos, aqueles para quem a fé é princípio e fonte de vida. A fé autêntica, na verdade, desemboca em caridade, em solidariedade e partilha, mas também, necessariamente, em esperança.
A confiança, a certeza de que Deus está connosco, nos acompanha e que só permite o mal para tirar dele o bem e ver o bem maior, é sinal distintivo de uma fé adulta e responsável.
Portanto, pôr os meios possíveis, confiar e não se deixar vencer pelo desânimo e pelo desespero.»

Pe. António Vaz Pinto, sj

19 novembro 2012
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

L'enfance est belle





Acordar vinte minutos mais cedo para poder estar com os meus colegas no recreio antes das aulas. Não me deixarem tomar café. Mandar papelinhos numa aula. Gozar com as meninas vaidosas, sempre a cochicharem sobre os rapazes que são giros. O toque da escola, a correria para ver quem chegava primeiro ao campo de terra batida para jogar futebol, senão tinha que jogar no campo de gravilha. Sufragar por um croissant. A perícia de lançar um pião. O dia de comprar cromos de futebol e levar o maço de repetidos para trocar com os amigos. O meu pai deixar-me ficar com ele na sala à noite a ver um filme sem a minha mãe dar conta. Esperar que os meus avós me viessem buscar à escola e passar a tarde com eles porque os meus pais estavam a trabalhar. Os gelados do dia de Santa Rafaela Maria. Apanhar o autocarro 78 às 7h da manhã de sábado com a minha avó para ir com ela para o hospital de S. João. Entrar no Estádio das Antas sem precisar de bilhete porque como sou pequeno consigo passar por cima da cancela. A magia de os meus pais me organizarem uma festa de anos e receber brinquedos. Ficar feliz da vida quando recebia uma moeda de cinquenta escudos. Acordar às seis e meia da manhã de sábado para ouvir a música de abertura da Sic e ver todos os desenhos animados dos quatro canais. Ler um livro d'Os Cinco. Os tazos da Matutano. Ver o meu avô a descascar laranjas e a imitar um homem com barbas. Ter medo do conde drácula da Rua Sésamo. Ir um mês de férias para o Algarve, fazer exercícios da colecção Férias Constância e escrever cartas à minha mãe. Ler os almanaques da Turma da Mónica como quem come pipocas. Esperar ansiosamente pelo próximo filme da Disney. Não precisar de um telemóvel ou de internet para me encontrar com os meus amigos.


Tenho saudades de ser feliz com o essencial.


15 novembro 2012
Posted by Nuno T. Menezes Gonçalves

Em mãos

Em mãos

Mais lidos

Etiquetas

- Copyright © O que me faz correr -Metrominimalist- Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan -